sábado, 27 de agosto de 2016

Errinhos que se vão


Pequeninos, frágeis e dependentes: dessa forma eles chegam até nós. Que responsabilidade em nossas mãos! Desde o momento em que demos o “Sim” à maternidade, a vida se transforma em: alegria,  amor, atenção, cuidados, dedicação, ensinamentos, preocupações. Essas coisinhas miúdas e grandiosas, magicamente, se apossam do nosso coração, regendo os pensamentos, definindo as atitudes, porque são, sem dúvida alguma, nossa prioridade sem prazo para vencimento.

O ritual se inicia e lá estamos à frente de cada fase: os cuidados com a alimentação e higiene,  os primeiros passos, a pronúncia das palavras... Os olhinhos atentos dos miúdos tentam acompanhar e muitas vezes nos imitar. O que sai?  Ao invés de palavras, ruídos guturais incompreensíveis que somente uma mãe consegue depreender. Entretanto, isso não basta. Há um mundo lá fora no aguardo do processo interativo que precisa ser pleno o suficiente para suprir as exigências comunicativas desse nosso mundo moderno, tão cheio de padrões e rótulos quadradinhos.

Tais inquietações me acompanharam nas fases em que meus pequenos começaram a produzir os primeiros textos orais, que mais pareciam uma mistura de “nhem-nhem-nhem” com ”zum-zum-zum” e “blá-blá-blá” (não necessariamente nessa ordem...). Não deixa de ser uma brincadeira divertida,  esse primeiro ensaio das palavras. Aliás, acredito que boa parte dos vocábulos nasceu das onomatopeias.

Algumas coisas marcam quando as crianças chegam nessa fase: as vogais, por exemplo,  são mais enfatizadas na pronúncia infantil: “aua” é mais fácil que água; algumas palavras são cortadas pela metade, destacando a sílaba tônica;  passarinho vira “Titi”; uma quantidade grande de água é rio. Por esse motivo, quando o Danilo gritou desesperado para a avó: “O Titi caiu no rio”, ela achou graça e não socorreu de imediato o coitado do passarinho que ele havia derrubado com gaiola e tudo dentro do tanque cheio de água. Felizmente o bichinho foi socorrido e escapou da morte, porque o Danilo conduziu a avó até a área de serviço e mostrou-lhe o que realmente havia ocorrido.

Além do relato acima, o meu sapeca protagonizou outras cenas com sua hilária linguagem, todavia,  não me lembro de tudo com detalhes (Afinal são 32 anos atrás...), mas sei que o aperfeiçoamento da pronúncia dele ocorreu naturalmente com o decorrer dos meses e anos seguintes. Foi durante esse momento transitório que recebeu como presente alguém para multiplicar as descobertas: a irmãzinha Patrícia.

Pequena e esperta, ela aprendia muito rápido tudo, pois tinha um professor de plantão que precisava urgente de uma parceira para as traquinagens. Entretanto, quanto à questão da linguagem dessa Pequena Notável, foi necessária a orientação de uma especialista (fonodióloga) para ajudá-la a distinguir algumas letras e fonemas: c/g, v/f, t/b, que ela trocava na fala e na escrita. Alguns meses de treino e exercícios específicos foram suficientes para corrigir esse detalhe linguístico. Para quem sempre fez questão de expor seus pensamentos, agora com a dicção corrigida, não economizou no discurso, queria esgotar o estoque de verbos, substantivos, adjetivos...

Meu neto Gabriel também apresentou algumas dificuldades na pronúncia de alguns fonemas: x/j, t/b. 
Quando eu ouvia essas trocas, eu o corrigia e pedia que ele repetisse com atenção. De uns tempos para cá, percebi  que ele superou tais dificuldades e sua fala  não possui mais aquele tom infantil. Além dos mimos típicos de vó, lógico, eu também considero essencial diálogo contínuo com as pessoas da casa para que os filhos, assim como os netos, participem dos assuntos, opinem e possam também aperfeiçoar a expressão oral.

Enquanto observo filhos, netos,  e contemplo essas duas gerações, vejo como os anos obedecem à toada melodiosa e incansável do “ tic-tac “do tempo,  na qual algumas lembranças se acumulam, outras se perdem e depois se escondem  em alguma parte da memória. De pequeninos, frágeis e dependentes, passam à crescidos, nutridos e independentes,  encarando hoje,  em suas vidas, desafios que outrora a protagonista era eu.


                                          (Zizi Cassemiro - mãe do Danilo e da Patrícia; avó do Gabriel e do Johnny)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O "R" não era pronunciado!


Eu sempre soube o quanto é importante articular bem as palavras e fazer com que o nosso filho perceba claramente todos os fonemas para que possa adquirir uma linguagem correta, mas, às vezes, nos descuidamos e falamos com as crianças numa linguagem bem infantil, e isso pode acarretar sérios problemas na hora de pronunciar corretamente os vocábulos.

É comum nós, mães, ficarmos radiantes quando o nosso filho balbucia os primeiros sons. A empolgação é tamanha e a conversa com a criança segue espontaneamente, o que importa mesmo é que eles aprendam a se comunicar.

Os meus filhos apresentaram problemas na fala, mas precisamente com o "R" de "arara, laranja, berimbau, jacaré"... É um atraso na fala que normalmente pode desaparecer por volta de cinco anos, mas não foi o caso deles. O esperado para a faixa etária ultrapassou o limite, por isso levei o Mateus para fazer uma avaliação com a fonoaudióloga, por volta de sete anos ou mais, e ela constatou que realmente era preciso fazer o tratamento.

Nas primeiras sessões, foi preciso que eu entrasse junto com ele, para que se sentisse mais seguro e, além disso, os exercícios feitos com o especialista deveriam ser repetidos em casa. A terapia foi um sucesso! Dentro de três meses o "R" foi instalado perfeitamente. Grande conquista! Comemoramos!

Quanto ao Elias, eu me descuidei mais do que deveria e o deixei falar sem o "R" por muito tempo. Quando resolvi levá-lo ao especialista, ele já tinha por volta de quinze a dezesseis anos. Os amigos o apelidaram de "arara", mas ele nunca se importou, pelo contrário, até se divertia com isso, tanto é que, quando o levei à fonoaudióloga, a primeira coisa que ele lembrou é que ia perder o apelido! (risos)

A terapia também foi um sucesso! Ele instalou o "R" e fala tudo certinho. Mais uma conquista, mais uma comemoração! Mas sempre observo que ele se enrola um pouco na fala, quando precisa nos contar uma história mais longa ou mesmo quando ele fala muito rápido, não mais por causa do "R". Acredito que a dicção não é perfeita e desconfio que é por causa dos dentes. Ele não tem a mordida certinha, ou seja, os dentes não encostam. Ele faz um tratamento na ortodontia e espero que isso também possa melhorar, já que ele gosta muito de conversar! Nisso, puxou ao pai. (risos)
 
                                                                                  (Maria José - mãe dos faladores Mateus e Elias)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Os sons trocados do LG


Hoje me pego no mundo dos sonhos...  sim, de sonhos e desejos, pois meu pequeno ainda não fala, um fato que me angustia muito e a ele também, mas noto que ele se esforça, fala tudo embolado, do jeito dele, aí não recrimino e nem deixo que os outros o façam, afinal, se eu deixar que ele seja constrangido vai atrapalhar todo o processo.

Meu pequeno pode ser, sim, um autista bem leve, ter um distúrbio genético ou seja lá qual for o seu “problema”, ele é meu menino, meu rapazinho, minha vida, e não mudará em nada, só irá aumentar ainda mais o meu amor por ele, duplicará a minha admiração,que já é grande! 

Fico imaginando elezinho trocando tudo: "fuio", "bulaco" e por aí vai... Ele conseguirá falar lindamente e me chamar de MÃE, e pode até ser que me chame de mãe louca... eu aceito, feliz da vida! (risos)

Certa vez li em uma dessas postagem no Face que Deus escolhe pessoas alegres, pois elas já conhecem o valor do sorriso e permitem que um bebê especial venha para esse lar. Me sinto abençoada desde já, porque eu experimentei o sorriso em grande escala, a alegria, tudo realmente que é importante, sou egoísta (reconheço) e, como o próprio texto dizia, isso me fará bem.

Espero ansiosa as primeiras palavras do meu amado LG, ou até mesmo palavrões, o que for, até mesmo ser PAPAI pela primeira vez em vez de MAMÃE! (risos) E deixo aqui o texto de que falei... 

Alguma vez pensou como Deus escolhe as mães das crianças especiais?
Eu já… Uma vez vi Deus a pairar sobre a Terra, selecionando o seu instrumento de propagação com grande carinho (…). Enquanto observava, instruía os seus Anjos a tomarem nota num grande livro:
– Para a Beth, um menino. Anjo da Guarda, Matheus.
– Para a Miriam, uma menina. Anjo da Guarda, Cecília.
– Para a Regina, gêmeos. Anjo da Guarda Geraldo, ele já está habituado. Finalmente, Ele passa um nome para o Anjo, sorri e diz:
– Dê a esta mãe uma criança deficiente. O Anjo, cheio de curiosidade, pergunta:
– Porquê ela, Senhor? Ela é tão alegre!
– Exatamente por isso, diz Ele. Como poderia eu dar uma criança a uma mãe que não sabe o valor de um sorriso? Seria cruel…
– Mas será que ela vai ter paciência?
– Eu não quero que ela tenha muita paciência – disse Deus – porque aí ela irá afogar-se no mar da autopiedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passem, ela saberá como conduzir a situação. Eu hoje estive a observá-la. Ela tem aquele forte sentimento de independência. O Anjo retorquiu:
– Mas ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não será fácil. Além do mais, Senhor, acho que ela nem acredita na Sua existência. Deus sorri, e diz:
– Não tem importância. Eu posso dar um “toque” nisso. Ela é perfeita. Possui o egoísmo no ponto certo. O Anjo engasgou-se:
– Egoísmo? E isso é, por acaso, virtude? Deus, acenou que sim e acrescentou:
– Se ela não conseguir separar-se da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, esta é uma mulher que abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz idéia, mas será, também, muito invejada. Ela nunca irá admitir uma palavra não dita, nunca considerará um passo como uma coisa comum. Quando a sua criança disser “mãe” pela primeira vez, ela pressentirá que está a presenciar um milagre. Quando ela descrever uma árvore com um pôr-do-sol para o seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a minha obra. Eu permitir-lhe-ei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e ajudarei-a sempre a superar tudo. Eu estarei a seu lado a cada minuto da sua vida, porque ela vai estar a trabalhar comigo.
– Bom – disse o Anjo – e quem o Senhor está a pensar mandar como Anjo da Guarda? Deus, sorriu e disse:
–Dê-lhe um espelho. É o suficiente.”
(Autor desconhecido)

(Elizabeth Oliveira – mãe do sapequinha do LG)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Nunca tive nenhum "pobrema" com isso!!!

Que pena que Miguel não foi uma criança de falar errado nem de pronunciar de forma engraçada as palavras! Sempre fui de falar direitinho, até demais pro meu gosto, pois aí fico sem munição para escrever sobre esse tema! Snif, snif...

Queria comentar que ele, como muitas crianças, se enrolou pra falar "iogurte", ou "liquidificador", ou "salsicha", ou "mortadela", mas nada! Tudo certinho da Silva! Sílaba por sílaba! É raro até errar o "pra eu comer", para se ter uma ideia! Ele também não era de pronunciar uma palavra querendo significar outra. Outra queixa minha! Snif, snif, snif... 

Lembro-me de que uma vez comemorei porque ele falou "ouvidro", mas aí a alegria durou pouco, pois ele logo se corrigiu. Afe! E algo parecido também ocorreu recentemente, quando ele soltou um "mais pequeno" e logo depois soltou um "menor". Dia desses estava distraído e deixou escapar um "mais menor", que foi motivo de piada, dele mesmo, que ainda completou com um sonoro "Mãe, estou doido!". Doida fico eu, de amor! Todo dia! 

A dona da padaria daqui da esquina adorava zoá-lo, desde beeeem miúdo, falando "pobrema" só pra ele, cara de pau que só, corrigi-la. Ela até hoje tenta fazer isso com ele, que às vezes já não tem mais paciência para pronunciar devagarinho: "Pro-ble-ma", como no começo. Houve uma vez que, no caminho de volta pra casa, comendo pão de queijo, ele soltou um: "-- A tia Rose é meio burrinha, né, mamãe? Ela nunca aprende!" (ainda bem que falou só pra mim e não pra ela! kkkkkkkkkkkkkkkk)

Por conta disso, já me fez passar vergonha, ao ouvi-lo corrigir a diarista daqui de casa, dizendo que "não é craro, e sim claro, com cla, cla, cla...". Ainda bem que ela aceitou de boa e disse que errava porque tinha a língua presa... e ele querendo ver o que era isso, e imagino que morrendo de pena da língua, doidinho para soltá-la, feito quem solta passarinho da gaiola... (risos)

Enfim, se não posso me alegrar com os pequenos deslizes linguísticos do meu filhote, que eu me alegre e comemore então todos os acertos, e duplamente -- como mãe e como professora, de Língua Portuguesa. Será que isso, de certa forma, o influenciou?!? Juro que não sei...

(Andreia Dequinha - mãe do espertíssimo linguista mirim Miguel)

sábado, 20 de agosto de 2016

Com os avós, a cumplicidade é geral!!


Tenho doces lembranças dos meus avós maternos: Januária e Hermenegildo, (falecidos em 2007). Eles tiveram vinte e um filhos, dos quais apenas onze sobreviveram, e desses nasceram cinquenta e seis netos, oitenta e um bisnetos e cinco tataranetos. Não conviveram com todos os netos, mas os que cresceram junto a eles experimentaram o amor verdadeiro, pois tiveram mimos o suficiente para lembrar com doçura desses avós tão maravilhosos! 

O meu avô paterno era irmão do meu avô materno (meus pais são primos). Morei com ele dois anos. Não conheci a minha avó paterna, mas convivi com a segunda esposa do meu avô, que, na verdade, tem a mesma doçura de uma verdadeira avó e sempre nos deu muito carinho. Lembro que, quando eu tinha dor de dente, ela me balançava na rede até eu dormir. É a única que está viva, com muitos problemas de saúde, mas aos noventa anos não é mesmo nada fácil!

Os meus filhos sempre conviveram com os avós paternos, desde que nasceram, pois moramos na mesma cidade! Quando ainda eram bem pequenos, morávamos na mesma chácara, onde moram os meus sogros, por isso a convivência era bem mais íntima. O avô Severino sempre foi muito brincalhão e costumava dizer que os meninos pareciam macaquinhos, pois gostavam de subir nas árvores, então ele perguntava pelo rabo. (risos)

A minha sogra muitas vezes cuidou deles para mim, quando eu precisei resolver algumas coisas na cidade. Sempre tiveram uma convivência muito saudável e cheia de carinho.

Sei que gostam dos meus filhos e, mesmo morando na mesma cidade, eles quase não se veem, pois os meus sogros raramente vêm aqui em casa e os meus filhos trabalham e estudam. Os encontros acontecem, na maioria das vezes, nos eventos comemorativos da família.  Quando dá, eles vão visitá-los e são sempre muito bem recebidos. O avô elogia muito o bom comportamento deles, diz que são muito educados...

Quanto aos avós maternos, esses moram a mais de 3500 km de distância... Mesmo vivendo tão distantes dos meus filhos, estão sempre presentes em suas vidas. Meus pais nunca esqueceram o aniversário deles e sempre ligam para desejar um feliz aniversário, já que não estão por perto para abraçá-los. Quando estamos com eles, a cada fim de ano, minha mãe aproveita a oportunidade para mimá-los o quanto pode, e faz sobremesas deliciosas, pastéis, sanduíches, cachorro-quente. Eles fazem a festa!

Quando ainda eram bem pequenos, minha mãe fez uns pastéis e, sabendo que eles gostavam muito, aproveitou que eu não estava na cozinha e deu um pastel para cada um, e mandou que eles comessem escondidos de mim, já que eu não permitia que comessem antes da hora, então foram comer atrás do banheiro. A isso se aplica o seguinte: "Há coisas que só são admitidas porque se trata de avós e netos". Se durante umas poucas semanas aprontaram dessa maneira, imagine se morassem perto! A cumplicidade seria geral e eu estaria perdidinha! (risos)

E as peraltices na casa dos avós continuaram. Quando tinham entre cinco e sete anos, aconteceu um fato engraçado! Meu pai tinha um pequeno comércio no sitio onde mora, era um mini mercado, e lá ele vendia o básico, mas tinha um item que chamou a atenção dos meninos: "chicletes", mas não eram os chicletes que eles queriam, na verdade queriam as figurinhas que vinham neles e foram pegando chicletes e mais chicletes, tiravam a figurinha e jogavam o chiclete fora. Acho que alguém percebeu antes de mim (não sei se meu pai ou minha mãe), mas não me disseram nada porque sabiam que eu não iria poupá-los. (risos)

Percebi que havia muitos chicletes espalhados pelo quintal, fora do quintal, jogados por todos os lados, e observei que o pote de chicletes estava lá no alto (alguém o guardou sem fazer alarmes, tudo com a intenção de poupar os netos), mas eu fiquei bem quietinha e chamei os dois, disfarçadamente, sem que meus pais percebessem, e levei-os para dentro do banheiro, conversei, e expliquei que eles não deveriam ter feito aquilo, que era muito feio, então confessaram que queriam as figurinhas. Ao final da conversa, apliquei o merecido castigo, mas tudo muito bem disfarçado, para não criar atritos.

Todos os anos, viajamos para a cidade onde moram os meus pais, é durante esse período que eles e os netos têm então a oportunidade de curtirem uns aos outros, matarem a saudade e colocarem o papo em dia. O meu pai sabe que eles gostam muito de futebol, então conseguem conversar, partilhar momentos futebolísticos e se divertem falando sobre o assunto. Meu pai é vascaíno e os meninos, santistas, então eles brincam, fazem piadinhas sobre os pontos fracos do time, e assim não falta assunto, eles atualizam tudo, de uma forma bem divertida!

A valorização de afetos e a comunicação emocional deixam marcas no coração e só mostram o quanto os avós têm um papel fundamental na vida dos netos. É um amor que eterniza a vida e o coração deles, por isso que a cumplicidade não tem limites entre eles, e eu costumo dizer que os avós fazem pelos netos o que nunca fizeram pelos filhos! (risos)

Eu ainda não sou avó e, pelo jeito, vou demorar a ser, mas não tenho pressa, e espero que os meninos não pensem no assunto tão cedo! A única consequência disso é que serei uma avó bem velhinha!! (risos)

                                                                                                 (Maria José - mãe de Mateus e Elias)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

As avós, essas mães com mel...


O tempo transforma experiências em sabedoria. Sempre me encantei com o conhecimento das pessoas mais velhas. Adoro aprender com elas! Como falam com propriedade dos assuntos! E o mais fascinante: tudo flui com uma simplicidade que desmascara o enigmático e a temida complexidade dos fatos cotidianos divulgados por aqueles que ainda não chegaram a esse nível de aperfeiçoamento humano.

Na adolescência, ficava imaginando como eu seria num futuro como mãe e mais tarde como avó. Estaria preparada? Pura bobagem! Não existe um momento específico para tal preparo. Somos aquilo que praticamos todos os dias, somos o que pensamos, o que desejamos, o que falamos, o que fazemos e, sobretudo, o que aprendemos com nossos mestres: os pais. Uma soma de itens variados que traz um resultado “x” e faz de nós únicos.

Reconheço que as maiores e melhores emoções são vividas nos momentos que não foram planejados passo a passo... Simplesmente as coisas acontecem, vinculadas, muitas vezes, ao elemento surpresa, como: dormi mãe e acordei avó! E agora? Como evitar a expressão interrogativa e o olhar preocupado por estar diante de um novo quadro, novíssimo, desconhecido até então por mim?

Mas o coração está no controle: não custa nada uma recepçãozinha com um tapete vermelho estendido para acolher a nova vida que já está a caminho e recebê-lo de braços abertos com uma sequência infinita de abraços, beijos, afagos... Afinal, vale muito a pena essa nova chegada!!

Minha mente retoma a figura da minha avó Maria: uma senhora tão dócil, tão meiga que conhecia a palavra AMOR em toda a sua dimensão e o distribuía, cuidadosamente, entre os netos sem economizar carinho, atenção,  acalanto nos momentos em que os recebiam em sua casa.  

Trazendo um passado mais recente, esbarro em outra figura feminina a qual eu me espelho todos os dias porque ela representa o meu modelo ideal e perfeito de mulher-mãe-avó. Ela me ensinou tudo o que sei ou faço em nome dos meus netos. Minha mãe nos presenteava sempre com um sorriso doce recheado de carinho, com sabor infinito de satisfação por estar rodeada de netos.  Ela, sim, era o nosso maior e melhor presente e nem desconfiava! Aquele colo abrigava todos os netos que, depois dos cafunés, corriam para a cozinha porque sabiam que haveria bolinhos de chuva no lanche da tarde seguidos de outras iguarias. Nunca soube dizer não aos pedidos dos pequenos. Acompanhou o crescimento deles para vibrar junto nas vitórias e orientá-los quando precisassem. Sua maior felicidade: vê-los, abraçá-los, agradá-los e, depois,  ficar ao lado contemplando aquelas figurinhas que lhe passavam o pente nos cabelos e questionavam os novos fios brancos que surgiam a cada dia...

Do lado paterno, meus filhos foram igualmente privilegiados e com um diferencial a mais: eram os únicos netos e não precisavam dividir a atenção com os demais primos. Evitar que ficassem mimados? Missão impossível! Deve-se aproveitar, da melhor maneira, a companhia dos avós enquanto os têm.  Esse contato é essencial e não tem preço!

Com esses exemplos que tive, tão ricos em amor, carinho, dedicação, paciência, gentileza... etc., foi impossível assumir uma postura diferente diante dos pequenos frutos que coloriram e perfumaram a minha casa desde 2004.
Gabrielzinho trouxe luz
E mudou todo o cenário
Preparou novo contexto
E não ficou solitário:
Um milagre aconteceu
O Johnny  logo nasceu
Lindo, forte, necessário.

São infinitas as mudanças que ocorreram em minha vida depois que me tornei avó. Fortaleci-me, renasci, encontrei novos motivos para sorrir e voltar a me sentir feliz,  percebi que Deus permite uma compensação para as perdas e a força provém dos filhos e netos: esses adoráveis agentes do milagre da vida.

O que é ser avó, afinal? É ser duplamente mãe coberta com mel, regada com paciência, pintada com as  cores harmoniosas da emoção; é ter o coração elástico que não se importa em ser ampliado e povoado por essas bênçãos que carregam um pedacinho de nós.

          (Zizi Cassemiro, mãe coruja do Danilo e da Patrícia, avó-corujíssima do Gabriel e do Johnny)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ser avó...

Reflexões de quando eu soube que serei AVÓ!!!!

E o tempo passou... A vida seguiu o seu curso normal... Filhos cresceram... Tomaram os seus caminhos. Afinal, criamos os filhos para viverem suas próprias vidas, nós sabemos disso! Pinta a nostalgia... Onde estão as minhas crianças, o tumulto da presença, a alegria do conviver, a casa cheia, os cuidados incansáveis...?!? Saudade do que passou... Sentimos, claramente, os sinais do passar do tempo... Sensação de missão cumprida, unida a um sentimento de que ainda há muito a fazer... E neste momento da nossa vida, Deus, na sua bondade e sabedoria infinitas, como para nos compensar, faz o ciclo recomeçar... 

Uma alegria suprema nos invade... Amor redobrado pulsa dentro de nós... Filhos de meus filhos... e isso faz nascer dentro de mim um novo recomeço... Aquela criancinha está de volta... Identificamos em pequenos detalhes os nossos filhos... Como tem o narizinho parecido com o do papai... Os olhos são os mesmos da mamãe... Aquela maneira de caminhar... Como os cabelos se parecem, a personalidade, também... São os nossos netinhos! E o melhor: precisam de nós!!! 

E, como num passe de mágica, a sensação de tempo desaparece! Você compreende que é necessário que os filhos cresçam, que você envelheça, para poder desfrutar dessa alegria única de agora, sem o trabalho inerente da maternidade. Você receberá nos braços aquele encanto, que é sangue do seu sangue, que chegará dando continuidade àquela história de amor que começou lá atrás... A vida continua... 

Só quem lá chegou pode entender e compartilhar dos prazeres que esse momento nos traz... SER AVÓ... SER AVÔ!... SER AVÓ... SER AVÔ é resgatar um tempo gostoso, é muitas vezes fazer o que nunca fez... É ficar babado com as gracinhas dos netos... É pintar a vida cor de rosa e azul anil só para ver o neto feliz... Contagem regressiva para viver tudo isso!!! SER AVÓ. ... SER AVÓ!!!

(Mari Carvalho - prestes a ser vovó) 


OBS.: Este texto é da autoria da minha amiga Mari Carvalho e, quando li, gostei muito e pedi a ela a autorização para poder compartilhar aqui. 

(Zizi Cassemiro)