Na época, para agradar o meu marido, como eu não tinha time nenhum, por nem gostar de futebol, resolvi me tornar tricolor, meio que de brincadeira, mas a coisa foi ficando mais séria e eu até usei o boné e a camisa do Flu algumas vezes, inclusive, quando estava grávida, dona de um lindo barrigão! Acho que, no começo, foi meio que hipnose, diante de tantos escudos que eu via espalhados pelo quarto: adesivos colados na gaveta, na parte de dentro da porta do guarda-roupa, a faixa pendurada na porta, a bandeira enorme pregada na parede como um enorme quadro, a camisa vestida a cada jogo... Por fim, acho que esse escudo grudou foi em meu coração, e até no Maracanã eu fui parar! O casamento acabou, mas o time ficou em mim, comigo. E não só em mim, mas também no nosso filho Miguel.
Ele já saiu da maternidade com o símbolo do Nense grudado nele... nos sapatinhos, na touca, na luvinha... e só não no macacão porque este ficou tão grande que o engoliu e adiou um pouco o uso. Ficou tão apaixonado que a primeira palavra que ele pronunciou, ainda com meses, foi Neeense! Bem pequetitinho, reconhecia o símbolo de longe e apontava, gritava, fazia a maior festa onde quer que fosse! Às vezes eu e o pai dele nem enxergávamos e pensávamos que fosse até invenção ou confusão dele, mas, logo em seguida, lá ao longe aparecia um tricolor... ou uma tricolor... que ele prontamente reconhecia como seres de uma mesma espécie, de uma mesma tribo! (risos)
Hoje ouço umas duzentas vezes por dia que o gol que ele fez é do Neeeeeeeeeeeeeeeeeeense, que a bola do Neeeense é a mais bonita, que quer colocar a roupa e o meião do Neeense, que quer ouvir o hino do Neeeeense no celular do pai... sem falar que ele fica prestando atenção nos jogos e comemora, reclama, fica nervoso, estressado, como na foto, enfim... Me acabo de rir! Uma comédia!
Meu filhote entrou até para a historia por ter sido o tricolor mais novo a fazer parte da carreata do Amaury Valério, aqui na nossa cidade, quando o Fluminense ganhou! Lá ia ele, todo metido, com o uniforme do time, sentadinho no meu colo, ao lado do pai, no fuscão cinza. Mãe e pai vestidos com a camisa do Nense e até o fusca foi com a bandeira pregada em cima! Miguel colocava a cabeça pra fora do carro e gritava “Neeeeeeeeeeeeeeeeense!” para cada um que passava e que, claro, ficava doido! Um calor danado, e toda hora eu dava água para ele... na garrafinha do Neeense, claro! Não poderia ser diferente!
(Andreia Dequinha – mãe do tricolor Miguelito)









