segunda-feira, 25 de abril de 2016

Castigando a lagarta com cuscuz!

Mamãe não me deixava de castigo e sim usava um cipozinho que, quando eu aprontava alguma, vinha direto nas minhas pernas.  Já era até automático. Eu aprontava e já podia até ouvir o zumbido do cipó roçando no ar. Vuuuuuuumm! Quando o cipó estava longe, era a vez do chinelo, sempre a mão, e que ela arremessava de longe, com força, pegasse onde pegasse, sem dó! Confesso que, com o tempo, eu me tornei "expert" em desviar dos arremessos, tipo no filme "Matrix"! (risos)

Miguel é levado, mas muito menos do que eu na idade dele, segundo ela, e eu bem que concordo. Ele é beeeeem mais medroso do que eu. E eu sou muito menos estressada do que ela. Também evito ao máximo bater. Se usei, até hoje, o chinelo umas duas ou três vezes foi muito. Às vezes dou um tapinha ou outro, mesmo  assim só quando ele me atenta muito e me tira do sério! Mas sou fã de colocar de castigo. Acho que funciona e dói até mais, já que a dor não é só naquela hora.

Também não sou de colocar pra pensar não! Aqui em casa não tem nada de “cadeirinha do pensamento”, até porque criança pensando só pode ser em novas artes! (risos) Então eu grito, esbravejo, xingo, e o que mais tiro é o tablet e/ou o X-box,  por uma semana, fica sem ir à pracinha, ou sem ir ao cinema, ou sem ver TV, ou sem poder brincar no quintal com os cachorros, ou sem poder convidar amiguinhos pra brincar aqui em casa... e já ameacei até tirar do Karatê! Aliás, quer ver ele ficar doido é aprontar no treino e o sensei falar que ele vai ter de treinar uma semana com a faixa branca, abrindo mão da amarela!?! Geralmente funciona!!! E tudo isso tem validade por uns dois ou três meses, às vezes até mais! (risos)

O pior castigo, pra mim, porém, ocorreu dia desses! Há tempos eu já estava irritada com a mania de o Miguel pedir as coisas e depois não comer. Eu só brigava e tal e nada de resolver. Aí foi acumulando, acumulando, acumulando... e culminou num dia em que eu estava apenas com R$ 5,00 na carteira e ele me pediu um cuscuz. Comprei. Ele comeu a metade de uma colher e disse que não queria mais.  Gritei, ameacei bater, dei uma chinelada, e nada de convencê-lo a comer. Com muita raiva, acabei me excedendo e, ao explicar que dinheiro não está fácil e que tem criança que quer comer as coisas e não pode, que ele tinha e não valorizava, acabei jogando o cuscuz todinho na cabeça dele, depois ainda esfreguei na cara, e o levei pra tomar logo banho. Ele chorou mais por ter ficado espantado, já eu fiquei arrasada, e chorei de soluçar depois, assim como pedi várias vezes desculpas a ele, abraçando-o bem forte.

Fico muito mal quando acabo fazendo essas coisas! Não me perdoo! Sorte que ele sim, a ponto de fazer até piada, do tipo: “-- Mãe, ainda bem que açaí eu tomo tudo, né? Já pensou você fazer igual ao cuscuz e eu ficar pretinho!?!” Sim, açaí ele toma tudinho, até o de 500 ml. (risos) No fundo, queria ter mais paciência, feito a de Jó, e saber conversar calmamente, sempre, e explicar, sem gritar, sem me alterar, mas...  acho que faltei no dia dessa aula! Só pode!

Tento me conformar porque sei que tudo isso, embora doloroso, faz parte da educação dele! Preciso aprender, com urgência, a me punir menos e a me perdoar mais, até porque tenho consciência de que, como disse o querido e eterno "Pequeno Príncipe": "É preciso que eu suporte duas ou três lagartas, se quiser conhecer as borboletas". E educar é bem isso: temos que lidar com a fase de lagarta das nossas crias orientando até que se tornem fortes, livres, capazes de voar, borboletas que são! 

(Andreia Dequinha - mãe de uma lagartinha linda chamada Miguel)

16 comentários:

  1. Amiga do céu!!! Quando eu vi o título programado, "Castigando a lagarta com cuscuz", bateu a curiosidade e fiquei esperando para ver o que era isso. Pelo pouco que a conheço, sempre deu pra perceber que realmente é um pouco estressadinha rsrsrs... uma pitadinha só, o que é muito normal rsrs... mas essa do cuscuz foi muito forte!!! Não deu pra não rir, ...rir pra não chorar, mas foi demais! Tadinho! Senti uma dozinha dele.

    Entendo perfeitamente, tanto a sua atitude, quanto o seu arrependimento, já me senti assim uma vez, porque dei tanta chinelada no Elias e depois bateu o arrependimento, chorei muito, pois fiquei ouvindo o soluçar dele por um longo tempo. Foi de cortar o coração.

    Parabéns pelo texto!! Independente do Miguel ter te tirado do sério e você ter feito o que fez. O texto está perfeitinho, no capricho mesmo!! Adorei! Bjos

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    1. O título meio louco e não tão previsível é pra tentar mesmo fisgar a curiosidade das pessoas... Que bom que, ao menos no seu caso, eu atingi o objetivo quanto a isso! Fico feliz!

      Bondade sua falar que eu sou "um pouco estressadinha", pois eu sou é MUITO, reconheço, e infelizmente sou assim porque acabo me dedicando e me lançando de corpo e alma naquilo em que acredito, seja em algum projeto, seja na criação de filho ou no meu trabalho... enfim...

      A do cuscuz eu realmente perdi a cabeça, me desculpei, mas se tem que escolher ser over ou ser omissa, dois extremos, eu sempre vou ficar com o primeiro! Não tem jeito! Um dia ainda, quem sabe, consigo ser "morna", mas, no momento, entre ferver e gelar, eu prefiro ferver para algumas coisas... e gelar para outras... e assim vamos caminhando, aos trancos e barrancos! Assim é a vida, né? E viver sendo mãe é mesmo punk... intensidade pura, à flor da pele.

      Valeu por ter vindo me ler, satisfazer a sua curiosidade e, claro, pela gentileza e carinho por ter comentado e compartilhado comigo suas impressões. Beijocas! Boa noite! Vou mimir.

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  2. Seu texto me fez lembrar de um fato ocorrido com uma prima que, quando criança, foi obrigada a comer um queijo inteiro, de uma só vez.
    Tudo aconteceu quando, na frente dos compradores, ela disse que, se pudesse, comeria inteirinho, um daqueles queijos expostos à venda, feitos pelo pai dela. Isto, depois de já ter repetido anteriormente, por várias vezes, diante das mesmas pessoas... O pai, envergonhado perante os amigos fregueses, um “belo dia” resolveu atendê-la. Pobrezinha!!!! Comeu a primeira fatia. Comeu a segunda. Até aí, tudo bem. E foi comendo... muito longe de chegar à metade daquele “bendito queijo”, já desanimada... leite escorrendo pelos cantos da boca, lambuzando todo o rosto da infeliz. Diante daquela “cena patética”, sentindo a dificuldade da filha, o pai resolveu aplicar-lhe um corretivo: tirou o cinto e deu-lhe uma surra, a qual foi contida por minha tia, mãe da pobrezinha, que pôs-se à frente dela, livrando-a da fúria do pai, acompanhada do “deixa disso” dos amigos presentes...
    Cresci ouvindo esta história, contada por minha mãe, a qual muito reprovou a atitude de seu cunhado (ele era marido da irmã dela), mas sempre nos fazia lembrar, quando eu e meus irmãos ousávamos insistir em algo parecido com o comportamento de nossa prima.
    Embora eu nunca tenha chegado à semelhante atitude com meus filhos, e também não aprovando, entendo que os pais, muitas vezes, se sentem impotentes e perdem o controle sim...Afinal, todos nós sabemos como é difícil educar; impor limites; fazer uma criança aceitar, através de diálogo, o que pode e o que não pode...o que deve e o que não deve... Que tarefa , meu Deus!!! Que tarefa!!!
    Só que, entre deixar uma criança fazer o que bem entende e crescer desrespeitando regras estabelecidas, ou partir para uma atitude extrema, oriunda de pais responsáveis e amorosos, eu, ainda, prefiro a segunda; porque nela, existe o desejo de acertar; e na primeira, a chamada “lei do menor esforço”; porque, naquele momento, é mais cômodo para quem educa... Fazem-se vistas grossas, e fica tudo bem... apenas aparentemente. Mas, futuramente, as consequências nem sempre são tão confortáveis não...
    Quando existe amor e zelo, mesmo sofrendo, a criança é capaz de compreender o porquê daquele gesto violento de seus educadores. Tenho certeza de que Miguel a entende muito bem, porque a todo momento você lhe dá provas de que o ama acima de tudo.
    A protagonista da história do queijo, depois de adulta, cuidou muito bem do “pai algoz”, com amor e carinho, quando na velhice a saúde já não sorria para ele.
    Parabéns pela excelente explanação; e, principalmente, pelo título criativo, no qual estão inseridos os percalços que a vida nos impõe, para chegarmos à perfeição.

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    1. Seus comentários são sempre tão lindos, ricos e completos que parecem até postagens, textos para o blog! Adoro! Adorei o "Sal e Luz", mesmo saindo errado, na sua visão... sinal de que acerta até mesmo quando erra, olha que profundo! rs rs rs

      A grande verdade é que essas crianças testam os nossos limites... e, por mais que a gente tente manter a cabeça sempre tranquila, atenta, uma hora inevitavelmente a gente explode, perde a calma mesmo. Como eu me culpo... como fico mal... como demoro para fazer as pazes comigo mesma... e acho que ás vezes nem isso eu faço!

      Feliz que tenha gostado do título... rs rs rs

      Beijos mil. Obrigada por sempre vir me ler... por sempre trocar ideias comigo... por sempre ter algo legal a complementar cada assunto. Sou fã.

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  3. Desculpe-me,ou melhor,perdão!O comentário sobre o "queijo" é meu, Zenilda. Não sei por que saiu em nome do jornal da igreja. Estou muito chateada...que coisa desagradável!

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    1. Imagina, menina! Acontece isso direto comigo, usando o perfil do MATERNA IDADE em vez do meu, pessoal, da ANDREIA DEQUINHA, aí percebo e vou lá correndo e deleto e ponho outro. rs rs rs

      Isso aconteceu porque você devia ter continuado logada no perfil que utiliza no jornal da igreja... quando veio deixar esse recadinho. Desagradável nada. Relaxa. Pra mim não tem problema algum...

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  4. Será que teria como corrigir???

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    1. Infelizmente os comentários aqui do blog não permitem que a gente utilize, a exemplo do Facebook, a ferramenta "editar", apenas a "excluir", se for o caso, aí você copia e cola de volta, como um novo comentário, como sempre faz.

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  5. Fazemos sempre o que consideramos o melhor para os nossos filhos, ainda que isso nos arranque cabelos... Embora vc seja maluquinha pelo Miguel, até ele tira vc do sério, isso porque somos humanas suscetíveis a qualquer tipo de reação. Mas sempre prevalece o grande carinho, cumplicidade e amor em alta que vaza pelos poros. Nao podemos condenar as atitudes para educar os filhos, cada um tem sua estratégia que funciona. Apenas devemos nos policiar para que não ultrapassemos o nosso limite para não nos arrependermos depois de algo que poderia ser menos "doloroso". Ainda que eu acredite que os nossos filhos sabem que somos doidinhas por eles e por isso nos testam o tempo todo. Mas tudo é construção, para nós e para eles. Amei seu texto, suas metáforas são fofas demais. Miguel como lagarta é ótimo!

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    1. E como às vezes me tira do sério e pior: não tenho nem como delegar deveres, já que sou praticamente mãe solteira! Mamãe só participa pra defendê-lo, então... tudo acaba se tornando mais pesado, mais puxado pra mim! Mas sobrevivo.

      Obrigada pelos conselhos, sempre, por dividir sua experiência conosco, amiga Zizi. Adoro. Aprendo. Troco. Revejo. Agradeço.

      Bom que gostou da minha versão metafórica do Miguel lagarta... Eu estava com dificuldade pra encerrar o texto e não sabia que foto usar, aí bati o olho nesta do Pequeno Príncipe e aí resolvi usar, costurando. rs rs rs

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  6. Amiga, também morri de curiosidade quando li o título rsrs E amei seu texto ! Não se culpe, pois vc é uma baita mãe. Apesar que a culpa é normal, eu também ficava arrasada quando perdia a paciência, mas é que nós mães temos um amor incondicional e nem isso aceitamos. Mas garanto que ele não vai esquecer a história rsrs e talvez pense duas vezes antes de não querer comer. kkkkkkkk Minha mãe também me obrigava a comer abacaxi e eu só saía da mesa depois de comer. Olha, odeio abacaxi ! rsrs bjsss

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    1. Pelo visto meu título fez mais sucesso do que o próprio texto! kkkkkkkkkkkkkkkkkk
      Todo mundo se sentiu curioso! Vou usar e abusar mais desse criar suspense, a partir de agora! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Tomara que o fato de ele não se esquecer nunca do episódio infeliz do cuscuz na cabeça não o traumatize e sim o faça se lembrar de que as pessoas podem se irritar profundamente quando repetem os mesmos comandos... mãe ama muito, compreende muito, mas é humana e também se irrita, também erra, tudo isso!

      Nunca obriguei o Miguel a comer nada que não gostasse, mas fico furiosa quando ele pede algo e não come, de sacanagem, sabe! Acho muito feio isso, mais até do que eu ter lascado o cuscuz na fuça dele! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  7. E esqueci de dizer uma coisa. O que mais gosto em vc e em seus textos é que vc vem de alma aberta, com tanta sinceridade, que me comove.

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    1. Ahhhhh, amiga, que fofa você! Obrigada! E eu tento manter sempre a alma aberta mesmo, pois detesto aparentar ser o que não sou! Assumo numa boa meus vacilos, minhas cagadas, meus erros, meus exageros... Acho que tem que ser por aí mesmo, né? Errar todo mundo erra, e que bom, pois só assim a gente pode aprender! Beijos e valeu por vir me ler e comentar! Adorei!

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  8. Kkkkkkkk ... Amei seu texto! Não sou mãe, mas compreendo você! Beijos.

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    1. Obrigada pela carinhosa visita, amiga, e volte sempre que quiser!
      Que bom que me entende! Isso independe de ser mãe, né? Beijos.

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