domingo, 31 de julho de 2011

Hoje é o seu dia, que dia mais feliiiiz!!!


Nunca havia organizado uma festa na vida, nem nunca tive o menor jeito pra coisa. Na verdade, convidando ou sendo convidada, fico bastante empacada em reuniões sociais, sem saber o que fazer com as mãos, querendo logo saber onde é o banheiro e em pânico só de pensar em precisar usá-lo. Mas estávamos todos ouriçadíssimos preparando a festinha da Talita, e a princípio seria apenas uma pacata e aconchegante reuniãozinha de família, só que virou uma festona, com um povaréu danado.

O Mô e eu estávamos sem dinheiro, por isso combinamos uma coisinha simples, mas meu pai e a mãe dele injetaram um patrocínio, minha mãe fez os doces e bombons, ela, eu e minha irmã passamos madrugadas enrolando aquela doçaria toda (a gente nem almoçava direito, se alimentava do cheirinho dos doces), meu irmão e meu sobrinho enfeitaram o salão do condomínio (aprendi a dar nó de rabiola com ele, pra prender os balões), enfim, a família toda ajudou!

Quando os primeiros convidados chegaram, aquele batalhão de gente que parecia até ter marcado um encontro pra vir todo mundo de uma só vez, fiquei com as pernas moles de verdade! Cheguei a fazer uma cara bem estranha... Uma zoeira danada, aquele abraçamento e beijamento, monte de braços esticando presentes,  uma criançada que parecia brotar do chão... Tive a impressão de que aquele atordoamento nunca fosse passar. Passou, né, mas ainda fiquei com um certo mal-estar e nem consegui comer nada. Eu via as coisas meio em câmera lenta, parecia anestesiada, eu hein...

A aniversariante se divertiu à beça, não ficou enjoadinha, foi no colo de todo mundo, hehe, até porque ainda não andava. Na hora do Parabéns ela se esticou no meu colo, abriu o telhado da casinha dos Bananas de Pijamas e começou a tirar de lá os bolos embrulhadinhos! E eu nem via nada, meus óculos foram parar na ponta do nariz e eu não conseguia ajeitar, porque a Talitinha era muito pesada e eu precisava dos dois braços pra segurar. O telhadinho foi parar longe, só depois eu vi!!   Veio uma amigona minha que estava morando em Campinas, o meu sogro, que estava de cama, ligou no meio da festa, foi muito legal!

Engraçado também foi que, de repente, como que passou uma ventania e vuuupt, varreu todo mundo! Sumiu o povo todo! Só ficaram, claro, os destroços, eu e o Mô meio desmaiados, A Talitinha dormindo, avós e alguns tios solícitos.

O do Tariq foi um churrasco com beeeem menos gente, só familiares e padrinhos. Ele estava calmíssimo, nem tirou o boné, que geralmente não parava no lugar. Só havia 3 crianças, e a Talita pela primeira vez teve autorização pra passear pelo condomínio sem adultos por perto. Ela se sentiu o máximo andando com o Lucas, filho do padrinho dela! Por falar nela, ela acabou de entrar em casa, vindo de uma festinha de 1 ano, e veio xeretar o que escrevi. Seu diagnóstico: “Mamãe, CINCO PARÁGRAFOS sobre meu aniversário e só  QUATRO LINHAS sobre o do Tariq!”  Percebi agora a desigualdade na quantidade de caracteres, mas o primeiro filho tem dessas coisas, né, as mães de dois ou mais entendem isso muito bem... Tudo do primeiro filho, pelo ineditismo, marca bastante. Ah, e  também lembrei agora que o post do Perrengue foi só do Tariq, então está empatado.
                                                                                                                                      (Else Portilho)

sábado, 30 de julho de 2011

Pizza e presente

Eu nunca gostei de festinhas, pois sempre achei  que isso faz muita bagunça, aquele monte de gente, comendo, sujando, a criançada correndo, bagunçando.  É muito trabalho, a correria é imensa, resumindo, não tenho estrutura, não sei cuidar disso.
Então, por essa razão, não fiz a primeira festinha, nem a segunda, nem a terceira etc, apenas algumas comemorações em família mesmo, com um bolinho simples, e um presente, é claro! Isso depois que estavam  crescidinhos e sempre fazíamos muitas fotos.  
Depois de mais alguns anos, as comemorações passaram a ser assim: Uma pizza e um presente, então cada aniversário, inclusive o meu e o do pai deles, tem que ter pizza!  Vamos sempre na mesma pizzaria e, algumas vezes, quando o aniversário é de um deles, eles chamam uns dois ou três  coleguinhas e vamos juntos. Acaba sendo muito divertido! Achamos melhor assim.
(Maria José, mãe de Mateus e Elias)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Meus dois Anjos -presentes de Deus

Como meu nome é "festa", desde o nascimento das gêmeas eu ficava pensando no tema da festa de 1 aninho!

Depois de muito pensar, resolvi fazer com o tema de "Anjos". Pesquisei bastante, e coloquei a mão na massa. Fiz os convitinhos em formato de nuvens e coloquei uma imagem de anjinho. A lembrancinha foi um anjinho de resina em cima de uma almofada  branca com rendinha que eu mesma confeccionei (amo fazer trabalhos manuais), aliás, confeccionei todas as lembrancinhas das outras festas - parei só quando elas fizeram 10/11 anos.

A festa foi linda!!!! Parecia que estávamos em um céu, rodeados de anjos (eu, particularmente, estava com dois). Não sei ao certo se elas aproveitaram, concordo quando dizem que quem aproveita mais são os pais e convidados. Só teve um pequeno probleminha: Pedimos para um namorado de uma amiga filmar e "acho" que ele bebeu um pouquinho demais e... filmou pé, bexiga, coisas fora do foco, e aproveitamos muito pouco da filmagem. As fotos também não saíram lá aquelas coooooooooooooooisas, mas o importante foi ver as meninas brincando, sorrindo. Elas ainda não andavam sozinhas, então tínhamos que ficar segurando-as.

Sempre gostei muito de anjos, das passagens bíblicas onde eles são citados, sei que Deus tem um carinho muito especial por cada um deles. Ensinei a elas a oração do Santo Anjo desde pequenas.

                                  (Maria Regina - mãe das gêmeas Catarina e Beatriz)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Carinha feliz!

Confesso, de antemão, que tenho uma certa aversão por festinhas todas arrumadinhas, enfeitadas e a criança toda de roupinha nova, e a mãe neurótica de medo de se sujar, de cair e machucar, etc, etc e tal...(risos). Mesmo assim,  caí nesse engodo na primeira festinha do Lucas e percebi que de tanta preocupação com tudo,  resta tão pouco para a criança se divertir e  eu me senti acabada no final do dia.

A partir de então, passei a pensar o que seria agradável para o aniversariante. Então as festas aqui  se tornaram acampamentos em casa....rsrs. Os amigos já vinham para dormir e sem preocupação de tirar o pijama no outro dia, a folia já começava cedo e assim seguia o dia, alguns comes e bebes e muita brincadeira.

Até hoje, pergunto pra eles o que seria a comemoração ideal em cada ano. Desde um futebol com os colegas e cachorro quente no final ( como foi o aniversário do Fê ano passado) até passar o dia com os amigos no shopping ( como foi o do Lucas nesse ano), o que eles decidirem e couber no orçamento tá valendo. O importante é a carinha feliz no final do dia....ainda que a mãe esteja acabada. (risos)

(Mariuza Freire)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CIRCUITO FECHADO (versão festa de 1 aninho)


Fralda, roupinha, mamadeira. Andador, colo, chão. Casa, mesa, cadeiras. Balões, balas de coco, enfeitinhos, brigadeiros, bolo, salgadinhos. Banheira, sabonete, patinho de borracha. Escova, vestido, meia, sapatinho, lacinho no cabelo. Avó, avô, tio, tia, avó, avô, tia, tio, prima, prima, tio, tia, pai, mãe. Beijos, beijos, colo. Sapatinho, toalha da mesa, chão. Sapatinho, tapete da sala, chão. Sapatinho, fralda, mamadeira. Andador, sofá, colo. Brinquedos, brinquedos, roupinhas, brinquedos, chão. Refrigerante, suquinho, babador. Sapatinho, brinquedo, chão. Colo, colo, colo. Luzes, fósforo, vela. Fotos, fotos, fotos.  Bolo, garfinho, sapatinho, chão. Lembrancinhas, sono, choro, fralda, pijama. Berço, soninho, travesseiro, cobertor.
(Por Nina Marinho, mãe da Mariana)
Nota 1: Resolvi fazer um "Circuito fechado", pois acho que as festinhas de um ano, meio que seguem um padrão (pelo menos, as que já fui, as que já ouvi falar a respeito, ou mesmo as que já foram publicadas aqui, ainda que a da Dequinha não seja de 1 ano: o bebê quer dormir, a gente quer ele acordado, a gente se mata para fazer a festinha, etc, etc, etc...)

Nota 2: Marianinha teve sua festa de 1 ano em casa, na presença somente da família. Achamos que era muito pequena para entender uma festa grande demais. E foi até bom, porque os familiares puderam curti-la, ainda que logo ela tenha ficado com sono...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Primeiro aninho do Pedro

Sempre achei bobagem aniversário de primeiro ano, pois via a criança chorando, dormindo, raramente curtindo seu aniversário. Quem realmente curte esta festa são os pais, mas hoje acho que eles merecem. Rsrs 
A primeira festinha do Pedro foi super simples, acho que nem  ía fazer nada, mas em cima da hora resolvemos comprar um bolinho e chamamos as crianças vizinhas, apenas para não passar em branco. O mais engraçado é que ele curtiu bastante, estava super feliz e participou o máximo que podia. Foram pouquíssimas pessoas e só compramos um bolinho, refrigerante e uns chapéus de papel. Tiramos nossas fotos para registrar este momento importante da vida dele.  No fim de semana seguinte fomos ao Rio, pois nossas famílias moram lá e fizemos outro bolo, com a presença de irmãos e avós. Acabou que fiz duas festas, para uma pessoa que não acreditava em aniversário de primeiro aninho. Rsrs Legal que ele ainda não andava, era durinho, ficava em pé, mas não tinha coragem de dar seus primeiros passos. Esperou seu aniversário para nos dar esta surpresa, pois foi só fazer um aninho que começou  a andar e a partir daí foi aquela loucura de correr atrás dele. rsrs
Hoje acho que vale a pena você comemorar todas as datas, mesmo que seja de uma maneira simples, pois a vida é guardada através destas pequenas lembranças.
(Cris Happy - mãe do Pedro)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Estrelando: Miguel!!!


A primeira festinha de Miguelito não aconteceu quando ele completou um ano de idade, como a maioria, e sim quando fez UM MÊS DE VIDA!!! Tudo isso porque a mamãe louca e babona aqui fazia questão de comemorar cada mesversário dele, talvez a fim de tentar ir diluindo um pouco a alegria sem tamanho que foi a chegada dele em sua vida!!! Mesmo assim foi em vão, já que, a cada mês, a alegria em vez de diminuir, se conter, ia só crescendo, crescendo, crescendo... e culminou na festinha de um aninho, que parece que foi ontem, no entanto, a de dois aninhos já está praticamente batendo à porta!!!

Em sua primeira festinha, tivemos que acordar o mesversariante, que, ainda meio sonolento, tentava entender o porquê dos sapatos novos que eram o dobro dos seus pezinhos... tentava entender o que era aquele troço esquisito em sua cabecinha... e tentava olhar para aquelas coisas estranhas e brilhantes que ficavam em cima dos bolinhos, tentando imaginar o que poderiam ser, se lhe ofereciam algum perigo, enfim, essas coisas todas inexplicáveis que povoam a vida dos adultos. Ele, desconfio, estava era interessado em abocanhar os peitinhos da mamãe, dar umas mamadinhas e voltar pro bercinho para finalmente dormir em paz e poder comemorar, do seu jeito, apenas com seu amigo Morpheus, mais um mês de vida!!! Não sabia ele que teria de passar por isso váááááááárias outras vezes...!!!

(Andreia Dequinha - a mamãe festeira do Miguel)

domingo, 24 de julho de 2011

Mais uma espetadinha...


Muitos dos nossos perrengues têm a ver com as alergias respiratórias e alimentares do Tariq. O primeiro graaande perrengue foi  descobrir o que causava inúmeras e  duradouras diarréias e as 4 pneumonias, seguido pelas longas  adaptações aos leites disponíveis no mercado, caríssimos, até aprendermos a fazer em casa leite de galinha e depois de banana. Ficamos experts em nutrição naquela época!

Mas vou contar uma das muitas vezes em que ele ficou infestado de aftas. Primeiro foi  aquela dificuldade danada pra engolir alguns alimentos e ia rejeitando outros. Sempre que toma antibióticos  isso acontece, mas daquela vez toda a imunidade do garoto desceu pelo ralo. Começou discretamente,  mas nada do que o médico passava era capaz de conter o avanço daquelas perebinhas,  e foi tomando a boquinha dele com uma fúria, que quando nos demos conta, de uma hora pra outra  ele não conseguia mais nem beber água! Eu estava trabalhando e minha mãe me ligou apavorada contando o desespero dele, lembro que larguei a turma, passei na sala da direção e falei tipo “fui”. Liguei pro Mô, que ainda demorou a chegar pra pegar a gente, porque estava com um passageiro e já era hora do rush.

O Tariq gritava “Quero ááágua, quero ááágua, eu tô com seeeede!” durante todo o trajeto, chorando um choro sem lágrimas, se debatia no carro, dava tapas na garrafinha de água, nem me ouvia , parecia que eu nem estava lá. Os olhos fundos e parados, a voz rouca, os lábios sem cor, eu rezava  rezava, parecia que ele tava morrendo, meu Deus, meu coração tá disparado aqui, lembrando. Quando chegamos ao Pronto Baby, entramos com ele direto na Emergência, nem fizemos ficha, claro. Na hora ainda achamos que foi demorado o atendimento, mas percebemos que o nosso desespero é que nos fez pensar assim!

Uma enfermeira me pediu pra segurar o Tariq para que ela pegasse a veia dele e gracejou quando pedi  que mais pessoas ajudassem “Ô mãe, você não tem força não?”. Chamei  o Mô, porque sabia que nós duas não íamos conseguir, já havia visto aquele filme, mas numa versão light!  Caramba, o Tariq parecia um cavalo chucro, um touro bravo, até hoje não entendemos de onde saiu tanta força naquele garoto! Mais enfermeiros foram chegando, éramos 6  agarrando o menino, tentando imobilizá-lo, e ele   lutava para se livrar daquele monte de mãos que o prendiam. Eu choraaaava e tinha vontade de chutar aquele povo que machucava meu filhote, ainda espetaram os bracinhos , os pés e as mãozinhas um monte de  vezes, porque ele estava tão desidratado que as veias não davam as caras e estouravam rapidinho.

Depois que conseguiram espetá-lo adequadamente, o stress  foi conseguir mantê-lo espetado, porque ele tentava arrancar o cateter e se enrolava naqueles caninhos. Aff, foi uma canseira danada! E ainda mais duro foi ouvir da pediatra “Como foi que vocês deixaram chegar a esse ponto, ele já estava em estado de confusão mental!” Aí mesmo é que eu desabei, né, me senti a própria mãe burra, incapaz de perceber a gravidade de uma situação. E olha que costumo ser bem exagerada nessas questões de saúde, acho que toda mãe é. Hoje não me sinto culpada por aquele dia não. Foi uma coisa fora mesmo de controle, uai!

Bem, fiquei com ele no hospital 4 dias e foi um presente quando ele conseguiu devorar um pratão de comida sem se queixar de dor. Aprendi com uma enfermeira a fazer uma misturinha fantástica para deter qualquer Maldição das Aftas parte XXXVIII, e fabricamos sempre que um novo ataque se anuncia! Não vou postar aqui porque não se deve receitar remédio, né, mas que é maravilhoso, é!! O que eu preciso registrar também é um bilhetinho que a Talita escreveu pra ele, e que o Mô levou pra gente na  3ª noite: 


“Caro Tariq,
Te desejo melhoras. Estou te mandando 3 dinossauros pra você brincar.Eu estou rezando para você toda noite!  A Ursula  [ lhasa apso da minha irmã] acabou de te mandar um beijo  no nariz! Hoje a vovó chorou! E pôs uma oração no “cantinho” dela (do computador):
“Senhor Jesus, curai o meu netinho! Traga ele para casa com saúde!”
Tia Erika também está triste. E eu também, claro! Trate de melhorar logo, que eu quero alguém para brincar! 
Beijos da sua irmã, Talita.
Obs: Mamãe, leia o bilhete para ele!"

Nem preciso dizer que fiquei com a voz embargada e todos fungando lá no quarto, com essa demonstração de carinho e saudade da  Tatá!

Gente, saúde é mesmo o principal, né?!! Todas nós conhecemos bem as pequenas alegrias diárias que ela nos proporciona... Ver nossos filhos batendo um prato com a nossa  comidinha, dormindo serenos, acordando com aqueeele sorriso feliz de cara amassada, brincando sentadinho ou ensaiando passos pra longe da gente, é o que acalenta o nosso coração depois de qualquer perrengue!


                                                                              (Else, mãezinha dos saudáveis Tariq e Talita)

sábado, 23 de julho de 2011

Minutos (quase) eternos

Minha memória assemelha-se a uma videoteca com arquivos variados exibidos em uma tela,  cujos flashes intercalam-se simultaneamente numa desordem temporal e  espacial. O que determina a sequência dessa exibição é a relevância do tema abordado. Minha singela incumbência: captar, selecionar e editar tais imagens para que outros olhos possam conhecer e transitar por fatos antigos que, lembrados hoje, até podem provocar riso, mas um certo dia, foram motivos de muitas lágrimas e desespero. Um suplício. Uma agonia. Um perrengue!  
Passeava de mãos dadas e conversava animadamente  com meus dois filhos: Danilo e Patrícia,  no interior de um estabelecimento comercial ; ele com 4 e ela com 2 anos  . Segurava-os firmemente por precaução,  pois estava meio cheio. Eles, levados pela curiosidade, puxavam-me de um lado para outro, cada vez que algo lhes atraía a atenção. Eu continuava firme, não os soltava. Num dado momento, meus olhos esbarraram em algumas promoções. Arrastei-os  até lá, queria ver com mais detalhes, mas minhas mãos estavam ocupadas segurando as crianças. Soltei um dos lados e tentei mantê-los perto com uma única mão. Difícil. Já suada, nem conseguia segurá-los, estava lisa demais. Troquei de mão. Eles  entediados, visto que não eram do seu interesse  roupas ou acessórios. Começaram, então, a reclamar. Eu precisava apenas de mais alguns minutos. Paciência! O duelo das mãos estava ficando árduo. Cansei. Fiz uma pausa. Soltei-os com uma condição: que não arredassem o pé até eu concluir o que estava fazendo. Depois eu os deixaria escolher algo e compraria. Concordaram (Pelo menos fizeram de conta). Eu  mantinha um olho nas compras, outro neles. “Que gracinha, estão colaborando!”, pensei. 
Esse pensamento durou pouquíssimo tempo...alguns segundos...talvez minutos. Numa fração mínima de tempo (quem sabe entre uma piscada e outra) ,  olhei e não os vi. Não podiam estar longe se há pouco estavam ali do meu lado! Minha primeira reação: larguei tudo e olhei em volta. Nada!  Percorrei diversas prateleiras chamando-os pelo nome em bom tom. Nada! Aumentei o tom da voz, agora já não falava, gritava: “DANILO!!!  PATRÍCIA!!!”   Percorria todos os corredores e não os encontrava. Eu gritava, tremia e chorava descontroladamente. Lógico que a essa altura as pessoas já estavam assustadas com o meu escândalo. Não sabia o que fazer, andava e corria sem rumo,  ainda não tinha pedido ajuda. Vendo o meu desespero,  seguranças e  clientes da loja se comoveram,  vieram em minha direção e ofereceram ajuda. Descrevi as crianças (idade, cor dos olhos e cabelos, como estavam vestidos, etc), anunciaram no auto-falante, e participaram da busca. Nada!
Perder meus filhos por minha culpa? Sentia-me a pior das criaturas. Minha vigilância materna falhara. Que péssimo exemplo de mãe eu era! Tão relapsa, descuidada, incompetente! DOIDA!! Onde se viu sair sozinha com duas crianças pequenas? E o pior: naquele tempo as notícias de desaparecimento e sequestro de crianças para roubos de órgãos eram muito  freqüentes! Esses pensamentos bizarros buzinavam em minha cabeça e me deixavam mais desesperada. Se algo de mal acontecesse a eles, eu jamais me perdoaria. Se não os encontrasse, tudo perderia o sentido, até a minha vida.  Foram os minutos mais eternos que eu vivi. Não lembro exatamente quanto tempo durou esse sufoco, talvez uns  10 ou 15 minutos...ou um pouco mais.   Eu já estava perdendo a esperança de encontrá-los. De repente, ouço: “Dona, há duas crianças em um dos corredores da seção de brinquedos, a senhora já foi lá? Eu nem me lembrava se sim ou não ou talvez. Não importa!  Segui-o e finalmente os encontrei: lá estavam, ambos brincando tranquilamente na maior inocência com os brinquedos das prateleiras. Senti vontade de dar uns beliscões neles. Não fiz nada disso. Só os abracei e chorei muito. O moço me aconselhou a não punir as crianças e sim agradecer a Deus por tê-las encontrado. Um anjo disfarçado de segurança fora enviado por Deus para me ajudar.
O susto passou, mas o trauma não. Depois disso eu redobrei a atenção. Durante toda a infância deles eu grudei feito chiclete. Confesso que fui exageradamente cuidadosa. Uma fiel e verdadeira guardiã 24 horas. Só dei uma folguinha quando voltei a trabalhar e a estudar.
Quando pensei que havia superado o choque, 20 anos depois, aconteceu de novo. Desta vez  com meu neto Gabriel (filho do Danilo) quando ele tinha dois anos. Ele nos driblou (eu e a tia) no cinema e deu-nos um “eterno perdido” de mais ou menos 10 minutos. O escândalo que fiz pelo meu neto, acreditem,  foi pior, bem pior... Vocês nem fazem idéia!!   Esse, quem sabe, um dia eu supere...
                                                                        (Zizi, mãe do Danilo e da Patrícia)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A força veio de Deus

Decidi também dividir com vocês meu pior perrengue (dentre tantos é claro).
Numa certa segunda feira, depois de ter dado algumas aulas fui fazer aqueles exames no postinho para admissão na escola. Chegando lá, a técnica de enfermagem me perguntou se eu tinha pressão alta e respondi que não-até ai tudo bem.O médico chegou e fez a mesma pergunta e a minha resposta foi a mesma.Saindo de lá, falei para meu marido passar em uma farmácia, pois as vezes aparelho de postinho está meio desajustado, e para minha surpresa a pressão estava ainda mais alta. Chegando em casa ligamos imediatamente para meu médico que me aconselhou a ficar deitada até as 17:00 horas .Meu marido ligou para minha prima que é enfermeira e ela foi até minha casa medir minha pressão- e estava ainda mais alta. Mas até então eu nunca havia ouvido a palavra pré eclâmpsia.Minha prima ligou para meu médico e explicou toda a situação e "muito delicadamente" perguntou--Onde está sua bolsa??????????????????????( os pontos de interrogação explicam como ela fez esssa pergunta?hahahah).
Minha bolsa???Que bolsa???Ainda faltavam 3 semanas para elas nascerem, nada estava pronto!!!!
Meu marido quase que literalmente voou para o hospital que fica em outra cidade a mais ou menos 60 kilômetros, e eu no banco de trás toda calminha , não sabendo de nada do que estava acontecendo. Chegando ao hospital meu marido ficou fazendo as papeladas e eu subi rapidamente para o quarto com umas 5 enfermeiras em cima de mim, cada uma fazendo uma coisa. E eu me lembro direitinho que falava assim--eu não vou fazer a cesárea com outro médico que não seja o meu--.Eu lá sozinha, recebendo remédio embaixo da língua , sendo raspada, minha pressão sendo medida, um zunzum danado, pensei que eles me entregariam ao médico de plantão .Ai Jesus...
Dai mais a tardezinha meu médico chegou e disse que no dia seguinte faria várias exames.
A terça -feira chegou e lá fui eu ainda toda calminha, sem a mínima noção do que estava acontecendo.Fiz dois exames: um para ver se a pressão tinha afetado o coração das meninas e o outro se tinha afetado o cérebro.Fiz um- tudo bem. No outro foi o maior perrengue.Vou tentar explicar o exame. Sabem aquela buzina de sorveteiro? Pois é!Aperta-se aquilo na barriga para ver se o coraçãozinho delas dispara, se ele disparar é que está tudo bem com o bebê.E lá vamos nós na buzinada...
A primeira foi tudo bem(eu não sei quem foi, mas acho que foi a Catarina)o coração foi a mil..ufa!!!E lá foi a outra buzinada-- e nada--- e nada ---Outra buzinada-- e nada  e nada. A enfermeira olhou para o Daniel com um olhar pra lá de preocupado e ele começou a conversar com o bebê--Vamos filhinha, força, mostra para a tia enfermeira que seu coração está bom.(estou começando a chorar neste momento- sempre que recordo me emociono).E de repente os batimentos foram subindo de uma tal forma que a única coisa que vi foram as lágrimas da enfermeira escorrendo pelo seu rosto e dizendo que tantos anos na profissão nunca havia visto isso- o bebê reanimar com a voz do pai (vocês estão vendo quando disse semana passada sobre o "estamos grávidos"?).E o resultado saiu.A pressão não havia deixado sequelas nas meninas.Fui para o quarto com a esperança de sair naquele dia mesmo e voltar para casa.A tardezinha estava sossegada , quando entra um médico todo alegre perguntando quem seria a próxima mamãe da noite.Da noite????????Como assim??? Meu marido estava tomando banho e os padrinhos de uma das gêmeas estavam no quarto.Eles contam que minha fisionomia mudou de uma tal forma que eles não se esquecem até hoje.Então tomei a coragem e perguntei--Vou ter neném hoje???Meu marido já sabia , mas não me contou com medo que minha pressão aumentasse ainda mais.Ele disse que  há alguns dias ele havia sonhado que elas nasceriam dia 7 de abril.(ele é demais).O parto foi "sossegado", porém minha pressão ainda alta.Fui para casa e ela só se normalizou depois dos 40 dias de dieta.Durante esse período fiz monitoramento diariamente da pressão, meu marido até aprendeu a medir pois meu cardiologista queria um gráfico diarimente na mão dele.
Pois é ,esse foi meu perrengue, e Deus esteve comigo cada segundo segurando em minha mão me deixando tão tranquila que, quem me conhece sabe o quanto sou estressadinha , e naquele momento meu nome era tranquilidade

                                    Maria Regina- mãe das gêmeas Catarina e Beatriz


Tentei lembrar de um graaaande perrengue que passei por causa de Cauã, mas não veio nada de interessante... nada que já não tivesse contado aqui, como por exemplo, o parto, o curso de formação para soldado bombeiro e o fato de ter que ficar longe do meu filho uma, duas vezes por semana. Este último merece ser comentado mais uma vez, afinal ainda sofro com isso,

Comecei a trabalhar nesta cidade (distante da minha 102 km) mês passado. Quando me deram a notícia que iria, fiquei triste e lembrando da época difícil que foi o meu curso de formação; o quanto foi ruim ficar uma semana longe do meu filhote, durante nove meses. Meu Super me tranquilizou e pensei: "não será tão difícil assim".

Logo no primeiro dia de serviço tive que dobrar, ou seja, ficaria dois dias seguidos longe de casa, do meu filhote, do meu Super. É costume  fazer isso, já que eles (meus colegas de trabalho) não querem pegar estrada toda semana. Acontece que eles são pais... e eu sou mãe! Meus dois primeiros dias de serviço foram horríveis, demoraram a passar... e não tinha nenhuma mulher para eu dividir minha angústia de mãe. Era só eu e um monte de homem. Fiquei trancada no meu alojamento engolindo o choro pra não sair na ocorrência com o rosto todo inchado de tanto chorar. Vez ou outra não conseguia conter as lágrimas...

Quando penso que já havia me acostumado com essa vida de ficar dois dias fora de casa, semana passada tive uma recaída "braba". Nossa!Foi duro, viu?!Já estava me preparando para dormir quando resolvo ligar pro Super e saber das novidades. Meu filhote pega o telefone para conversar comigo e no fim da conversa fala: "tô com saudade de mamãe". É eu sei, eu sei, coisa boba!Ele fala isso direto pra mim, mas naquele dia, naquela noite, foi o suficiente para acionar o botão da tristeza e eu derramei litros de água. Fiquei lá no meu alojamento, sem tv, sem net, sem som. Só com a minha cama e meu travesseiro (que ficou encharcado, tadinho!) chorando, chorando, chorando.

Cheguei em casa numa tristeza só  e com uma vontade de não voltar nunca mais pra lá. Ou de pelo menos nunca mais dobrar serviço. E foi isso que fiz esta semana. Oxi, chega de sofrimento, de choradeira. Credo!Quem faz nosso céu e inferno somos nós mesmos. Então decidi e estou decidida. Pegarei estrada toda semana, gastarei mais, é verdade, mas pelo menos não precisarei ficar dois dias longe do meu Filhote. Pelo menos enquanto eu estiver assim, fragilizada. Depois quem sabe... Deus proverá!!!

Dani Lino -  mamãe chorona de Cauã

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Superação!



Férias, janeiro de 2001. Observava meu filho brincando no quintal quando percebi que mancava de uma perninha, de um jeito muito estranho. Não me liguei muito na hora, preparando malas para uma viagem que faria com eles. Já no meu destino, casa da minha irmã no norte do Paraná, percebi outra vez a mesma situação e meu coração de mãe sentiu que não era uma coisinha à-toa. O Lucas estava com 4 para 5 anos e não reclamava de nenhuma dor. Assim mesmo, procurei um médico que fez alguns exames e viu que era um probleminha no quadril. Voltei imediatamente a Curitiba e procurei um Ortopedista recomendado. Descobri que meu filho estava com uma doença chamada Leg Perthes, que é caracterizado por uma necrose da cabeça femural. Enfim, meu filho não poderia voltar a andar enquanto não voltasse a jorrar sangue na articulação do fêmur! Uma doença de causa indefinida, sem prazo definido e nem muitas pesquisas.

Perdi o chão quando soube. Como falar aquilo para meu filho? Como tranquilizá-lo, se teria que usar um aparelho para imobilizar as pernas e ficar em uma cadeira de rodas por tempo indefinido? A presença Divina veio através de um médico que primeiro fez todo um trabalho comigo. Colocou-me em contato com outras mães que narraram a mesma experiência com seus filhos, e somente me deixou falar com o Lucas, quando a aceitação já havia acontecido dentro de mim.

Foi um momento muito difícil nas nossas vidas! Ele ficou 10 meses sem andar, mas preferiu continuar na escola e procuramos não mudar muito a rotina de vida dele. Quando voltou a andar parecia um bezerrinho quando vai se levantar a primeira vez, não tinha forças nas pernas (apesar da natação nesse período). O dia que o médico o liberou do aparelho, foi o pai e a avó que o levaram. Quando cheguei em casa do trabalho, ele estava escondido atrás da geladeira fazendo a maior força para se firmar em pé para me surpreender. Nunca esquecerei essa imagem...e até hoje não consigo conter as lágrimas ao lembrar.

(Mariuza Freire)

ELE transforma perrengue em bênção!


Apesar de eu estar passando por um perrengue, por Miguel não querer comer praticamente nada e por estar perdendo peso a cada mês a ponto de ter ido parar na curva considerada problemática, além de estar com um dos ovinhos saindo do lugar para passear, o que muito me preocupa, eu considero o MAIOR perrengue quando eu tinha acabado de me separar do pai dele. Até então só tinha passado por alguns momentos naturais de provação, comuns a toda mãe, como ter de segurar meu filhote na hora do "teste do pezinho" ou na hora de fazer outros exames e dar vacinas, pois tinha que me segurar para não chorar, de tanto que aquilo me doía, porém, depois, acabava me consolando dizendo que doeria bem mais se ele ficasse doente e tal.

Com a separação, me senti meio sem chão e fiquei me indagando se saberia tomar conta de Miguel sem a ajuda do pai.  Perguntava-me também o que fazer com tantos planos, todos aparentemente desfeitos, destroçados. Olhava para o meu filho e tentava, por ele, não chorar, não sofrer tanto, com medo de, dentre outras coisas, meu leite secar. Tentava depositar no meu filho, além do meu imenso amor, a parte de amor que pertencia ao seu pai. Queria enxergar nele, somente nele, a minha razão de viver. Nada disso, na hora, pareceu adiantar. A depressão passou beeem perto de mim, ainda mais à noite, quando ia dormir, e a cama parecia imeeensa, devido ao vazio. Vazia eu me sentia e isso me revoltada ainda mais, pois, no fundo, não queria me sentir assim, já que meu maior tesouro estava ali, comigo, dependendo de mim. Devia, pois, me sentir totalmente preenchida. Aí veio, além de tudo, a culpa. Tive vontade de que a dor me dissolvesse, tive vontade de sumir, tive vontade de morrer. Tudo o que eu fazia parecia errado e vazio. Comecei até a me achar uma péssima mãe. Dias de cão! Foi realmente um perrengue!

Poderia, eu sei, parar de escrever este texto aqui, mas meu coração me obrigou a seguir em frente, enfatizando que foi também justamente nesta época, e graças a esse perrengue, que eu tive uma experiência singular com Deus, e me converti. Fui levada a uma igreja por uma amiga, e eu me encontrava totalmente perdida e enfraquecida, em todos os aspectos,  e saí de lá quase inteira, fortalecida, leve, em paz, renovada! Entrei uma e saí outra, graças a Deus! Fiz coisas que há dias não estava conseguindo fazer, como: dormir, orar, acreditar em mim como mãe, e...  sonhar! Depois dessa experiência, tão marcante, percebi que, por maior que seja o problema pelo qual estejamos passando -- verdadeiros perrengues, ou tempestades assustadoras -- haverá sempre um ensinamento muuuuito maior à nossa espera. A solução sempre virá e os dias de sol também, e às vezes com direito a arco-íris e tudo! Glória a Deus por isso!

(Andreia Dequinha - a mãe doidinha do arcanjo Miguel)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não é fácil...

Quando vi o tema dessa semana, comecei a pensar e não conseguia lembrar de nada que eu pudesse considerar um grande perrengue. Tirando as dificuldades de sempre - ser mãe não é fácil, levamos susto o tempo todo: um tombo aqui, um queixo remendado ali, uma febre sem fim, tosse, noites sem dormir, enfim, só coisas do tipo beeemmmm comuns - não posso dizer que passei por um grande perrengue.

Entretanto, ao ler o post da Nina, mãe da Mariana, lembrei que também sofri um  episódio esquisito com rato no banheiro. Eu morava na Vila, entrei no banheiro e percebi que a tampa do vaso sanitário estava suja, como se alguém tivesse pisado nela, comecei a reclamar e limpei. Passado algum tempo, entrei novamente no banheiro e dessa vez a Bia - com quatro anos na época - foi atrás de mim, e quem estava ali, no canto? Um rato enorme. Tenho horror a rato - bom que se diga . Nunca gritei tanto na vida, e o pior, saí correndo e larguei - literalmente - a Bia para trás, que subiu numa balança, dessas comuns que guardamos no banheiro. Um vexame!!

Fiquei dias me achando a pior mãe do mundo. Até hoje, quando penso nisso, acho que deveria ter arrastado a Bia comigo. Uma tragédia, mas, ao mesmo tempo, engraçada. Pelo menos ela não ficou traumatizada, pois agora mesmo estava aqui ao meu lado lembrando e rindo - foi ela que me disse que subiu  na balança. Eu havia esquecido.

Ah, lembrei também que quando estava grávida, inventei que queria comer bolo de cenoura. Devia estar com uns seis meses de gestação da Bia, e minha mãe não fez. Fui lá, bati tudo no liquidificador e fui toda metida acender o forno. Não sei o que arranjei que ele não acendeu, mas o gás ficou aberto e eu - na minha idiotice - apertei o botão para acender. Já imaginam o que aconteceu, né???

Quase incendiei a cara toda, o fogo subiu de um jeito e veio direto para o meu rosto. Na época eu usava franja e ela ficou toda faiscada, subiu aquele cheiro de cabelo queimado. Na hora foi um susto tremendo, mas depois eu ri tanto. Que ideia!! em vez de fechar o gás e depois abrir de novo. Só eu. Cada uma!!!
(Carmem  Lúcia - mãe da Bia e do Fillipe)

O rato roeu a roupa do rei de Roma

Sempre quando me lembro de perrengues este me vem à mente, ainda que seja na gravidez.

Estava no alto dos meus 4 meses de gravidez quando tudo aconteceu. Era um domingo e eu estava almoçando na casa de meus pais, como sempre faço.

Como todo grávida, toda hora tinha que fazer xixi. Entrei no banheiro, encostei a porta e me dirigi ao vaso sanitário. Eis que ao tentar abri-lo, percebi que havia algo puxando a tampa. Eu a ergui, mas estava pesada. E então, um RATO enorme saiu da privada!! 

O meu primeiro reflexo foi o de gritar. Minha mãe, do lado de fora, ficou horrorizada. Também pudera! O que imaginar que teria acontecido à filha grávida gritando num banheiro??? 

Simultaneamente à saída do rato da privada e seu pulo no chão, eu me segurei na pia e na porta, levantando os pés como uma ginasta olímpica. O rato veio na minha direção, talvez mais assustado que eu, bateu na porta e voltou para outra direção. A esta altura minha mãe já esmurrava a porta e, sem poder abrir porque eu estava prendendo-a com a mão para me apoiar, gritava perguntando o estava acontecendo. Eu, sem palavras, só conseguia gritar.

Imediatamente abri a porta e saí, fechando-a novamente.

Já lá fora, sentei-me e tomei água com açúcar (será que isso acalma ou é só uma ilusão?). Aliás, tomamos, porque minha mãe também estava nervosa.

Passado o susto inicial e verificado que eu e bebê estávamos bem, meus pais foram traçar um plano para pegar aquele hóspede intruso que estava trancado no banheiro.

Lembro-me que isso aconteceu na época do filme Ratatouille, sobre um ratinho cozinheiro. Só de ver o trailler do filme eu tinha arrepios...Consegui ver mesmo o filme somente quando minha filha tinha uns 2 anos... 

Ah! E para aqueles que ficaram curiosos sobre o destino do rato: meus pais jogaram veneno lá dentro e esperaram por UM DIA até alguém ter coragem de entrar e ver que ele tinha mesmo morrido...

Mariana conta essa história dizendo que ela e eu estávamos no banheiro quando o ratinho pulou.

Até hoje, não deixo tampas de privadas abertas e sinto um calafrio ao abri-las. PARA SEMPRE... (risos) E me questiono como tive forças para me levantar e me sustentar com os braços...

(Por Nina Marinho, mãe da Mariana e medrosa)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Foi dolorido...

Fiquei pensando muito no tema dessa semana e, na verdade, queria encontrar algum perrengue engraçado, que fugisse um pouco dessa minha história com o Henrique e tudo que envolve o probleminha dele, mesmo porque fico pensando que eu possa estar sendo repetitiva e tal... mas, gente, não consegui encontrar nada, a não ser o meu maior perrengue mesmo... rs

O meu pesadelo começou quando tive alta do hospital. Como tive parto normal, fiquei só um dia internada e eu, inocente que só, fiquei toda feliz achando que o Henrique viria comigo. Ele não podia. Estava no CTI, respirando por aparelhos,  ainda muito fraquinho e correndo riscos. Foi a coisa mais difícil que já fiz na vida. Fui embora sem levar meu filhote. A rotina era a seguinte: eu poderia vê-lo das 15h às 16h e SÓ! Eu entrava sorrindo e saía chorando todos os dias.

O que mais me angustiava era aquela espera de horas e horas pra depois eu passar uma, só uma horinha com ele. E o pior, eu NUNCA havia tocado no meu filho, só o via pelo vidro da incubadora, até que, no terceiro dia, tive uma notícia que me desesperou. A pediatra do dia me disse, na maior frieza: "Mãe, seu filho está muito quietinho, paradinho e essa noite, tentamos tirar o respirador e ele não reagiu" (tenho pra mim que foi nessa horinha que o problema do Henrique apareceu, acho que não foi no parto e sim, nesse momento, mas como vou saber, né?). Eu comecei a chorar e uma enfermeira chegou perto e disse: "Você quer passar a mão nele? Lava bem a mão com isso (um produto especial) e depois você e seu marido podem tocá-lo". Como assim ninguém tinha deixado nós fazermos isso antes? Quase morri de tanta emoção quando eu peguei naquele bracinho tão frágil e ele se espreguiçou todo, sentindo o calor e o amor dos pais. Gente, ele estava sem estímulo nenhum!! Esse dia foi muito difícil ir embora. Lembro que cheguei em casa, me encolhi no sofá e chorei, chorei, chorei...meu marido, tadinho, ali do lado tentando me consolar, mas sofrendo do mesmo jeito.

No dia seguinte, outro susto quase me fez desmaiar. Quando cheguei no hospital, o guarda não me deixou entrar porque "estavam com um problema no CTI". Pensei no pior, é claro, e liguei pra minha prima que trabalhava lá, em outra ala. Ela foi verificar e me acalmou dizendo que era outro tipo de problema, mas que, mesmo assim, não poderia vê-lo. Mais choro. Eu achava que aquilo nunca ia ter fim.

Foram 13 dias de sofrimento. Quando o Henrique foi para o quarto, eu pude ficar com ele e foram mais 5 dias, até, finalmente, ele conseguir a liberdade.

Simone, mãe do Henrique (o guerreirozinho)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Travessura em rio cheio...

A Sâmia nunca me deu trabalho, sempre foi boazinha. Pelo menos até os quatro, quase cinco anos de idade. Eu explico. Minha cidade é ladeada por dois rios, o Fanado e o Bom Sucesso. O rio Fanado é um rio de médio porte, mas em época de chuvas, quando “inverna”, como diz o povo daqui, transborda. Era novembro de 1989, chovia muito e rio encantava e assombrava toda a cidade. Era muita água trazida pela enchente e a criançada toda queria ver aquele “mundaréu” d’água. Ela pediu para ir e eu disse que não e sosseguei. Os amiguinhos dela desceram a ladeira que “descamba” para o Fanado. Entrei em casa e me descuidei dela. Minutos depois, perguntei se alguém a havia visto, quando um moleque me disse: “Descambou para o Fanado”. E lá fui eu, debaixo de outra chuva que se anunciava. Lá do alto, avistei aquele pedacinho de gente, já com a pontinha do pé dentro d’água. Foi o maior perrengue da minha vida. Eu gritei o nome dela tão alto que acho que, da “barra à cabeceira” do rio, todo mundo ouviu. Ela colocou as mãozinhas na cintura e ficou lá me esperando, com uma carinha de anjo. Quanto mais eu descia, mais ladeira havia. Arranquei uma vara de cipó no caminho, desfolhei-a e subi ladeira acima, dando-lhe umas e outras “varadas” nas pernas. A danadinha nem chorou e ainda me disse que o rio estava lindo. Fiquei com a consciência pesada dias e dias, mas valeu a surra, depois disso, nunca mais precisei buscá-la na rua, muito menos às margens de um rio cheio.
(Irene Sena - mãe da Sâmia)

De filhos a repolhos


Vocês só falam de filho! Qual mãe ainda não ouviu isso? Do próprio marido, do lado masculino da mesa ou de alguma amiga que ainda não tenha decidido passar pela aventura da maternidade. Quando é comigo, respondo imediatamente: "Não tô falando de filho, tô falando de mãe. De mãe, de mim, de todas as mães, da questão mãe, entendeu?!" O fato é que esse virou mesmo meu assunto predileto, desde que não entre muito na cor do cocô. Podemos até começar pelo cocô, mas, invariavelmente, a conversa vai parar no ponto X, o mais interessante, o lado existencial, o ser mãe, o ser colocada em xeque todos os dias, o caminhar no fio da navalha, em que as palavras são pérolas para um serzinho tão disposto no mundo. Quando o Xé alcançado, a conversa pode me levar a dormir às quatro da manhã, sem esquecer que o pivô do assunto, aquele de quatro anos,  vem me acordar às sete.

Filho faz você pensar muito!

Lembro muito bem, na mesa do jantar, quando nosso pequeno Nino, que mal articulava uma frase inteira, com a boca cheia de repolho, perguntou: "Mamãe, você gosta de repolho?" Não vou saber explicar aqui, caras leitoras, acho que mesmo com todos os gestos e olhares que uma atriz dispõe para tentar se expressar, eu não conseguiria fazer vocês entenderem completamente o que me aconteceu ao ouvir "Mamãe, você gosta de repolho?" Aparecia ali para mim Nino, o homem. Aquele que com menos de três anos queria saber uma opinião, o mesmo que, um dia, iria adjetivar e abstrair. Meu Deus! Não sei o que me aconteceu. Foi uma frase, uma pergunta simples que me fez ver que eu tinha ali na minha frente uma personalidade que me acompanharia a vida toda, que cresceria deixando o tênis pela sala e que um dia, com uma mão enorme, talvez desse um carinhoso tapa na minha bunda querendo me dizer alguma coisa que não tem importância. "Adoro, filho, adoro repolho".

Filho faz você pensar muito. Você pensa na vida, no que você vai  ser, no que eles vão ser, na melhor maneira de cumprir sua missão por aqui... Você pensa e fala. E, quando você fala, parece que você tá falando de filho, mas você está falando de existir! Ih! Hoje estou filosofando muito.

Depois que tive filho, quis voltar pra faculdade. Só não sabia se queria psicologia, pedagogia, antropologia, filosofia ou até física, já que a ciência anda por aí tentando explicar o milagre da vida. Mas desisti da ideia porque, depois dos filhos, o que você menos tem é tempo. E eles próprios acabam nos ensinando muito. O pequeno Nino me viu com uma calcinha de florzinha que pouco uso e falou: "Mamãe, que que é essa calcinha?" "Uma calcinha da mamãe, filho. Você gostou?" Passa um tempo e ele solta: "Já sei como é a vida, mamãe. Homem gosta de passarinho e mulher gosta de borboleta". Fiquei pensando naquela simplicidade. No que teria a ver a calcinha de florzinha com aquela "filosofada" infantil. Não sei exatamente. O que sei é que é sensacional ter crianças em casa. Eles nos restabelecem a lógica. Nós vamos fazendo curvas e eles nos põem na reta, nos ajeitam o pensamento.
(Denise Fraga - "Travessuras de mãe")

domingo, 17 de julho de 2011

A idade é esta, a hora é esta!

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                                     "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas."

Brinquei de boneca até os 13 anos, comum naquela época,  mas coisa rara no século XXI. Minhas alunas me acham retardada por eu ter dado o primeiro beijo apenas aos 16 e sido mãe aos 33, visto que boa parte delas já tem alguns quilômetros rodados, o que inclui filhos, aos 15!...
  
Na adolescência, fazia planos de maternidade, não de casamento. Como meus pais não engoliriam o primeiro sem o segundo, fui aos poucos aceitando a idéia de ter de me casar um dia, mas nunca sonhei com véu, grinalda e igreja. Sempre achei as cerimônias de casamento muito “mesminhas”, enjoadas, além de uma tremenda gastação de dinheiro.  Além disso, nenhum dos meus namorados ou ficantes me apetecia, não os via como maridos, muito menos como pais.  Eles também não me viam como esposas, pois nunca se candidataram, né... E o tempo foi indo, indo, minhas amigas se casavam, seus filhos nasciam e eu fui ficando. 

Até que, tcharam!!! Apareceu o Mô!! O que me atraiu nele foi a risada, grandona, feliz. E fomos   nos envolvendo e descobrindo do que gostamos: jogar videogame,  brincar,  rir,  fazer trocadilhos,  ler,  ver filmes engraçados e comerciais inteligentes. Fiquei com vontade de ter filhos com ele!! Um ano mais tarde convidei o Mô pra ser meu marido e nos casamos em 95. Desse amor tão divertido nasceu a Talitinha em 97 e o Tariq em 2002!

Nem sei  o que teria sido dessa família se eu fosse mais nova quando  meus filhos chegaram, pois eu era bem imatura, egoistinha... Não me privaria, sem sofrimento, de horários de sono, não lidaria muito bem com o ter-que-deixar-o-melhor-pedaço-de-frango-pro-filho, entre outras concessões.  Ainda hoje custo a deixar a internet quando um me chama pra resolver  assuntos “urgentes” como levar a toalha ou um copo d’água, ai ai ai, não sou mesmo um modelo de mãe...  Aqueles poemas tipo “ser mãe é padecer num paraíso”  não são pra mim, pois não me cutucam. Não faço de propósito, mas acho muito distantes da minha correria e do que desejo para a minha prole. Sou amorosa e brincalhona com eles, mas cobro resultados, ainda que eu não seja um exemplo de organização e de esforço. Estou mais para aqueles pais maus da mensagem que postei e que permeia os meus dias.

Quando eles eram menores, nem pensávamos duas vezes antes de afastar os móveis, espalhar jornais e um lençol velho no chão pra gente pintar com guache. Um de nossos potes  gigantes é  cheio de apetrechos de massinhas de modelar. E a nossa cama sucumbiu à a última guerra de travesseiros, semanas atrás. As partidas de Uno requerem imobilidade total, nada de movimentos ousados, ou o estrado afunda de novo!

A gente fica tecendo considerações sobre “como seria se...” e tal, mas filhos vêm quando precisam mesmo vir, quando determinadas conjunções se revelam e se fazem necessárias e adequadas ao momento de cada um dos envolvidos. É Deus, é a espiritualidade mesmo que decide... Deus dá o frio conforme o cobertor, não dá nozes a quem não tem dentes, dá o fardo a quem pode carregar e tantas outras alegorias expressam isso muito bem!

Amadureço, cresço muito com eles, estou sempre me reavaliando a partir deles, ô escola boa essa a da maternidade!
                                                                                                                                           (Else Portilho)

sábado, 16 de julho de 2011

O tempo de Deus


Quando eu era bem jovem, sempre tive um lema: “Não quero me casar antes dos 20 anos, não quero ter filhos tão cedo”. Eu sou a mais velha, aliás, melhor dizendo, eu nasci primeiro. Mas três dos meus irmãos se casaram primeiro do que eu, não me importei, pois na verdade só pensava em estudar e trabalhar. Fiquei para titia hahahaha!

Eu tinha um namorado de uma década inteira de namoro, (80 a 90) mas ele nunca se decidiu. Isso tudo foi passado no Nordeste, pois foi lá que eu passei toda a minha infância e juventude. Bom, graças a Deus que ele nunca se decidiu, pois mesmo namorando-o, eu comprei minha passagem para MT em dezembro de 1990.

Vim  passear com meu pai, visitar parentes que moravam aqui há mais de 35 anos, e a partir dessa viagem, minha vida tomou um rumo completamente diferente, não voltei para o  Nordeste, meu pai voltou sozinho e eu fiquei, voltei lá um ano depois para terminar o namoro, pois ele estava me esperando, só que eu tinha visto o que hoje é meu amor uma única vez, mas foi o suficiente para por um fim na antiga história.

Bom, agora vamos ao que interessa, casei-me em julho de 93 às vésperas de completar 30 anos, pois faço aniversário em outubro. Realmente Deus me ouviu, “Não quero me casar antes dos 20 anos, não quero ter filhos tão cedo”. A essa altura então, não usei método anticoncepcional, por isso pensei que ia ficar grávida imediatamente, mas nada aconteceu e o tempo foi passando e nada de gravidez, mas não me importei muito, estava trabalhando, estudando e isso era muito bom.

Mas ele veio, engravidei próximo a completar dois anos de casamento. Foi uma gravidez muito saudável, muito abençoada, ele foi muito bonzinho comigo, não tive enjoos, aliás nem sei o que é isso! Ganhei o Mateus em fevereiro de 96, no mesmo ano completei 33 anos.

Para a chegada do Elias não demorou muito, pois a diferença de idade entre eles é pequena, dois anos e dois meses. Também foi muito bonzinho comigo, não tive enjôos, foi tudo muito tranquilo.

Se pudesse voltar atrás não teria mais  aquele lema, pois eu queria ter a vida que eu tenho, o marido que eu tenho, os filhos que tenho, mas que tudo tivesse começado mais cedo. Mas já que  foi dessa forma que tudo aconteceu, só tenho a agradecer, pois esse foi o tempo de Deus.

Hoje eu sei que Deus tinha outros planos para mim, o que era para minha vida Ele guardou, que alegria! Meu bem é uma bênção  e meus filhos são tudo de bom! E me sinto muitas vezes como se tivesse a idade deles, compro muitas revistas de história em quadrinhos porque gostamos muito, faço coleção de carrinhos Hootweels, porque amo os carrinhos, eles têm uns 250. Enfim, acho que a minha infância vivo agora, pois nunca tive brinquedos. Sou imensamente feliz agora, no tempo de Deus!
(Maria José, mãe de Mateus e Elias)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mãe um mês antes

Eu me casei aos 21 anos e desde então começamos a "trabalhar" para que esse momento tão especial não demorasse tanto, pois desde então a médica nos disse que seria um pouco mais complicado do que um casal normal. Depois de vários remédios, vários médicos, chegou ao Brasil uma nova injeção para ovular e dai o médico resolveu testar em mim e ... BINGO, na primeira tentativa depois de quase 4 anos de casamento "ficamos grávidos". Faço questão de usar a primeira pessoa do plural pois realmente meu marido é meu cúmplice e isso foi muito importante durante os anos de frustrações com tantos exames negativos.

As gêmeas deveriam nascer no dia do meu aniversário de 25 anos - 9 de maio, pelo menos a cesárea estava marcada, mas como são muito apressadinhas (não sei a quem puxaram...) não quiseram comemorar niver no mesmo dia que a mãe, e resolveram adiantar e nasceram dia 7 de abril, mas considerarei que elas nasceram nos meus lindos e fortalecidos 25 anos como a imagem do bolo com as duas meninas demonstra.

Como todas as histórias aqui já contadas, acredito que nada acontece antes da hora. Se demorei a engravidar é porque tinha que acontecer. Meu casamento foi amadurecendo, a dor da perda da minha mãe foi cicatrizando e com isso o amadurecimento foi chegando aos poucos
                                             
                                                     (Maria Regina -mãe das gêmeas Catarina e Beatriz)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hora certa???

Pensando sobre o tema dessa semana “Mãe com que idade?”, comecei a refletir sobre esse assunto. Confesso que se tivesse lido tantas coisas  sobre planejamento familiar, hora certa e  coisa e tal... Até hoje estaria esperando essa hora. Convivo com algumas pessoas na minha idade, que  não tiveram filhos, mas também não tiveram a certeza dessa decisão, como se em algum momento o tempo  fosse parar para que elas tomassem essa decisão. Como eu ignorava tudo isso (risos) e inclusive não queria usar os métodos artificiais de prevenção, resolvi fazer o método Billings por achar mais natural. E dessa naturalidade toda veio, aos 26,  o Lucas e aos 28, o Felipe. Todos tão naturais! Lindos!
Sempre penso que meus filhos foram planejados sim, mas pelo pai do céu, que inclusive não permitiu outros porque sabia que eu não daria conta. Quando tive o Lucas, achei que ia pirar, tinha medo de tudo, nunca havia cuidado de criança (sou filha caçula). Olhava aquele “serzinho” tão frágil, parecia que ia quebrar a qualquer hora. Como o primeiro filho sofre nas nossas mãos! Carrega todos os nossos medos, inseguranças, neuroses... e carrega pela vida a fora. Que dó!
Toda essa experiência serviu para o segundo, que sortudo! Esse, nasceu independente, praticamente. Quando menos esperava ele  já descia da cama pendurado pela colcha, caía de costas se arrastava pela casa e escutávamos um gemido de esforço para poder engatinhar. Pouco tempo depois,  já roubava comida do mais velho e saía correndo como louco no disquinho, aprendeu a abrir a porta da geladeira e até no vidro de pimenta ele mamou...(risos).
Agradeço ao Pai do céu, por não me permitir escolher a hora, pois com certeza ela não teria vindo, já que casei com um homem que não tinha como planos ser pai. Apesar de ser uma mãe “louquinha” e desapegada, sei que me realizo na maternidade.
( Mariuza Freire)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

De repente, 30!


SOBRE O TEMPO - PATO FU
Tempo, tempo mano velho, 
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Tempo, tempo mano velho, 
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã
Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai
Tempo amigo, seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final

É incrível como o tempo passa rápido. É um clichê, eu sei, mas quando temos filhos, parece que isso se torna mais palpável. Eles crescem numa velocidade incrível que mal conseguimos acompanhar. Nessa mesma rapidez, passamos de filhos a pais - tudo num piscar de olhos. 

Adoro chocolate, banho quente e desenhos animados. Canto músicas em inglês mesmo errando a pronúncia, adoro canetas-gel coloridas e amo jogos de celular. Tenho pantufas, agenda de bichinhos e melissas coloridas. Adoro "Monstros SA", "Toy Story", gibis da Mônica e MMs. Tenho muitas presílias de cabelo, esmaltes coloridos e estojos floridos. 

Carrego todas essas coisas de adolescente e criança, mas sou uma mulher de 35 anos e mãe. Às vezes, tenho que me lembrar disso. Às vezes, me pego pensando nisso. Às vezes, me surpreendo pensando nisso. "Gente, esse serzinho lindo saiu de mim! Eu sou a mãe dela!".

Comparo-me com minha mãe nessa mesma idade. Ela já tinha dois filhos - um com 8 anos e outro de 5. Lembro-me da imagem que tinha dela. Pelos olhos de criança, eu achava que ela já tinha vivido tanto! Hoje, me vejo jovem, certamente com menos idade do que achava que minha mãe tinha. Sei que não sou velha, mas é incrível como crianças acham que todo adulto já viveu uns duzentos anos... 

Descobri a gravidez aos 30 anos e minha filha nasceu quando já tinha 31. A mesma diferença minha para minha mãe - e a mesma dela para minha avó. Tempo perfeito para se entender o que é a vida e o que se quer dela. É assim que vejo a maternidade com essa idade. Aos 30 eu sabia exatamente que o meu sonho de ser mãe tinha que acontecer. O "tempo, tempo, mano velho" me dizia que era hora. E ela veio!

Adoramos chocolate, banho quente e desenhos animados. Cantamos músicas em inglês mesmo errando a pronúncia, adoramos canetas-gel coloridas e amamos jogos de celular. Temos pantufas, agenda de bichinhos e melissas coloridas. Adoramos "Monstros SA", "Toy Story", gibis da Mônica e MMs. Temos muitas presílias de cabelo, esmaltes coloridos e estojos floridos.

O bom de ser mãe na hora certa é isso: é usar a 1ª pessoa do plural. É fazer o que se gosta, com quem se gosta. É curtir de verdade aqueles momentos que a gente tanto sonhou...

(Por Nina Marinho, mãe da Marianinha)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mãe aos 30

Acho que não tem idade para ter filhos, toda idade é idade. Eu comecei esta carreira no tempo certo para mim, não teria sido bom ter filho antes, pois como falei nunca fui muito maternal.  Descobri esta maravilha na prática mesmo.  Antes disto nunca tinha colocado um bebê no colo, morria de medo, achava que iria quebrar.  rsrs  Meu filhote foi o primeiro e a natureza é perfeita,  pois aprendemos o jeitinho de primeira.  Eu dormia como uma pedra e com meu filho bastava escutar um “hem” baixinho que já estava de pé.
Casei e esperamos três anos para pensar em ter filho. Sempre fiz tabelinha, não posso tomar remédio, pois tenho displasia. Animei a pensar em filho quando minha vizinha engravidou,  éramos muito amigas e aumentou a nossa vontade de ter filhos também. Pensei que iria demorar muito para engravidar,  mas em três meses de “praticar” sem preocupação já estava grávida.  Estava com 29 anos e fui mãe aos 30. Eita idade bonitaaaaaa!!  rsrs
Foi ótimo ser mãe nesta idade, pois estava mais madura e sabia muito bem o que queria. A única coisa que me arrependo é de não ter tido outro seguidinho, mas na época só de imaginar arrepiava meus cabelos. Meus 30 anos foram super bem celebrados, recebi uma grande dádiva de Deus e agradeço todos os dias.
(Cris Happy - mamãe do Pedro)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mãe no momento mais do que certo!!!

Na opinião de muitos, fui mãe tardiamente, mas, para mim, isso pouco importa, visto que, no meu relógio biológico, sinto que fui mãe na hora certa: aos TRINTA E TRÊS anos de idade. Digo isso porque ao tentar me imaginar mãe na casa dos vinte, por exemplo, talvez até tivesse mais pique para correr atrás do meu filho e mais ânimo para brincar com ele (embora eu veja muitas mães dessa idade e até mais novas e que não têm nem metade do pique do qual reclamo), mas sinto que não teria a paciência que tenho hoje (que nem é tãããão grande assim, confesso) e talvez nem metade da capacidade de abdicar de algumas coisas (talvez eu deixasse o egoísmo falar mais alto em alguns momentos).

Às vezes estou no limite da exaustão, doida para deitar na cama e dormir, dormir, dormir, dormir, talvez por querer compensar a noite inteeeeeirinha de sono que não tenho(saudades!), mas basta meu filho me convidar para ir à pracinha ou andar de trenzinho ou tomar um açaí que magicamente me obrigo a me renovar e lá vou eu, com o cansaço escondido não sei onde!!! Às vezes saio de casa decidida a comprar umas roupas para mim e só quando chego em casa é que reparo, na maioria das vezes, que não trouxe NADA para mim e TUDO para Miguel (sei que preciso encontrar o chamado ponto de equilíbrio, mas ainda é difícil meeeesmo me colocar em primeiro lugar, sabendo que, assim, estou inevitavelmente colocando Miguel em segundo). Às vezes tento sair com os amigos para me distrair, mas o dedo coça para ligar a todo instante para casa só para saber o óbvio: que ele está bem, com a vovó, mas, no fundo, já é a saudade apertando e querendo ouvir um "ele está chorando e querendo peitinho, Andreia", só para eu voltar correndo para casa!!!

Ser mãe aos trinta e três também me fez poder contar com a estabilidade da minha profissão, poder curtir mais uns meses em casa com meu filhote por causa das licenças que vim acumulando, poder curtir por mais um tempo o ser filha, já que determinados rótulos vão se sobrepondo... se sobre o filha se coloca o mãe, sobre o mãe se coloca o avó... e são misturas muito loucas, genuínas, que requerem siiiiim adaptações! Ser mãe aos trinta e três, enfim, para mim, foi ter a consciência (embora não a explicação, que nem sei se há -- e quem precisa dela?!?) de que milagres existem, de poder me sentir mais perto de Deus e de poder  ter não só a sensação de estar parindo um ser (divino), mas também eu mesma e mais um mundo inteiro!

(Andreia Dequinha - a mamãe filosófica do Miguelito)