domingo, 31 de julho de 2016

Doces fraldas

Suspense. Abri a primeira fralda. Então é só isso? Não, Denise, isso é o mecônio, aquele cocozinho inicial do bebê. A variedade de tons amarelos e verdes ainda estava por vir, e com ela as ridículas tentativas de descrição para o pediatra ao telefone. "Não dá pra dizer que é verde. Também não é amarelo. Sabe a azeitona do vidro que você jura que tá passada? É aquela cor!" A cada abertura de fralda, uma avaliação se estava tudo certo com o seu bichinho. Se o seu leite, o ar de São Paulo, as condições climáticas, a Coca-Cola a que você não resistiu, a feijoada do sábado. Enfim, se tudo o que você oferecia para o seu bebê filtrar estava indo pelo caminho errado.

Fraldas, fraldas e mais fraldas. E depois do pequeno todo trocado, cheiroso e limpinho, meus dedos ainda brancos de Hipoglós, eu sentia na mão o quente borbulhar de um novo recomeço. Nosso pequeno Nino tinha uma cara especial para anunciar seu cocozinho. Seus lábios se esticavam para os lados num sorriso reto e engraçado de palhaço de circo. Tinha vontade de rir da cara dele e de chorar pela nova fralda a trocar.

Mais u menos cheirosas, as fraldas vão fazendo parte de nossa vida a ponto de esquecermos que um dia vamos ficar sem elas. Eu pensava: "Como é que faz? Como é que se tira a fralda?" Vinham dicas de tudo que era lado, afinal o que não falta é mãe de plantão. O pequeno andante não podia nem sequer dar uma passeadinha pelo banheiro que já era interpretado. "Quer xixi". E tira a fralda, e senta o pequeno, e espera, e o pequeno quer sair, e pega o pequeno, e senta de novo, e abre a torneira, e conta história, e desiste, e põe a fralda de novo, e passam-se dois minutos e você tem mais uma fralda pra trocar. No verão, a gente tira. Deixa o pequeno só de shortinho e prepara um bom estoque de sandálias porque vão molhar.

Confesso que, quando tirei a fralda dos meus filhos, deu um certo dó daquela responsabilidade que lhes era atribuída tão cedo. Eles não podiam usar fraldas até que quisessem fazer suas necessidades no banheiro, mas porque alguém falou que já estava na hora, que já estavam grandinhos demais para andar de fralda aos dois anos.

Tirar a fralda do dia até que foi fácil; a da noite, me lembro bem, senti muita vontade de chorar na madrugada.

Tudo começou com uma série de fraldas amanhecendo secas pela manhã. Está na hora, já pode dormir sem. Eba, que fácil! Foi a maior emoção quando escutamos pela primeira vez os passinhos no corredor, o abrir da porta do banheiro e o barulhinho do primeiro xixi noturno batendo na água. Pronto, ele não faz mais xixi na cama. Doce ilusão! À série de fraldas secas se seguiram inumeráveis lençóis molhados. Não põe a fralda de novo senão ele não aprende! Judiação, o carinha dormindo ter a responsabilidade de segurar um xixi. Cê fez xixi, filho? "Não sei, eu tava dormindo?!" Por que não é permitido dormir de fralda até cinco, seis anos?

Foram mutos chamados ("Mamãe") no meio da madrugada. O pequeno Nino não admitia dar um truque e tomar banho no dia seguinte. Houve uma fase de sonolentos banhos às três da manhã no delicioso inverno de São Paulo. Ninguém merece. Nem nós, nem eles. E ninguém merece ficar sem beber água depois das sete da noite. Mas confesso: a té hoje a água noturna é regulada aqui em casa, porque, vez por outra, ainda escapa um xixi. Fico pensando como minha mãe fazia, porque me lembro bem da sensação do quentinho subindo pelo lençol. E eu já devia ser bem grandinha. Mas ela não se lembra mais. E provavelmente eu também vou me esquecer dos tantos lençóis e pijamas trocados na madruga.

(Denise Fraga - Crônica extraída do livro "Travessuras de Mãe")

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Filhos bem alimentados, mães felizes.


Os olhos brilham sincronizados com um largo sorriso; um suspiro aliviado expressa a satisfação do dever cumprido e um ar de felicidade toma conta daquele rosto de mãe cujo filho comeu toda a refeição  que lhe fora oferecida.

Essa preocupação com a ingestão de alimentos saudáveis, entretanto, tem início bem antes dele vir ao mundo. Durante a gravidez, geralmente a mãe busca enriquecer sua dieta incluindo mais frutas, legumes, verduras para que o bebê seja favorecido.

Depois do nascimento, o período da amamentação ocorre sem maiores preocupações  porque o leite materno é completo e possui uma temperatura ideal. O choro da criança é o indicador da  fome e assim  a mãe fica à disposição da prole.

Passado essa fase mais tranquila, dá-se início ao segundo momento cujo desafio maior é transformar a teoria aprendida nos livros, revistas, vídeos, etc. em práticas cotidianas, pois há uma grande risco de nos depararmos com um serzinho cheio de vontades opostas às nossas. A partir daí, tem início um drama que dura e perdura por tempo indeterminado.

Quando pequenos, somos nós que damos as cartas, mesmo assim eles não querem entrar no nosso jogo; quando crescem e se tornam adultos, passam de objetos a sujeitos e nós, mães, meros termos acessórios. Não desistimos deles, mesmo assim. Nosso olhar atento observa, opina, discute.

Assim surgem os relatos saborosos,  cujos detalhes o tempo não apaga...

Quando nasceram, meus pequenos não tinham um peso digno de despreocupação, pudera!  Um pesou 2,500 kg (Danilo) e a outra 2,300kg (Patrícia), ambos com 46 cm de comprimento. Os quilinhos a mais que ganhei nas duas gestações  eram somente meus. Perguntaram-me, na  ocasião, se eu era fumante ou se eles nasceram prematuros devido à fragilidade que apresentavam. Duas hipóteses negativas e absurdas que desencadearam em mim uma inquietação muito maior com relação aos alimentos que deveria oferecer a eles para suprir uma (possível) desnutrição.

Danilo sempre foi enjoadinho para comer. Foi amamentado até os seis meses, mas sempre aquele drama: mamava pouco e não tinha horário certo. Como reforço, depois de alguns meses, apelei para a mamadeira, porém o sucesso não veio junto. Ele só tomava a metade e eu tinha que jogar fora o restante do leite todos os dias. Resolvi, então, colocar meia mamadeira, evitando assim o desperdício. Ele observava a quantidade de leite e vendo que estava pela metade, a recusava, talvez acreditando que já havia tomado a outra parte. Que ossinho duro de roer!!! A sopinha de legumes também não era de seu agrado. 

Lá em casa havia pratinhos térmicos com peixinhos que  se mexiam, colher de aviãozinho... só estratégias para convencê-lo a comer um pouquinho que fosse. Todavia, só faziam efeito nos primeiros dias. Frutas: só raramente; sucos: um ou dois goles forçados. Enfim, tudo que era natural e saudável ele não dava a mínima. Mas havia algo que gostou quando conheceu e até hoje lidera suas preferências gastronômicas: churrasco! Quer fazê-lo feliz? Dê-lhe carne, muita carne!! Continua não sendo fã das verduras; quanto aos legumes, apenas o brócolis ninja é aceito como acompanhante em uma refeição. O papel de mãe insistente e de oferecer cardápio variado eu fiz durante a infância e  adolescência  do Danilo e, ainda na  fase adulta, de vez em quando eu pratico para não perder o hábito! (risos)

A pequena chegou bem miúda e, para meu desespero, seu apetite era proporcional ao seu peso e tamanho. Eu já tinha experiência com o Danilo e me empenhei no sentido de inverter aquele quadro. Levei-a ao pediatra  em busca de melhores orientações para que ela ganhasse mais peso. Ele recusou-se a passar alguma vitamina porque afirmava ser desnecessário e ainda disse que não havia motivos para preocupações, pois a criança era saudável.  Apenas sugeriu um cereal infantil (Mucilon) no leite depois que ela completasse cinco meses. Apresentei a ela também o cardápio das sopinhas, dos sucos, frutas, da mesma forma que fiz com o Danilo. Essa apreensão atiçou minha criatividade culinária porque eu estava determinada a fazer a Patrícia ganhar uns quilinhos. Não posso afirmar que obtive a vitória de início, pois ela passou a infância e adolescência com aquele corpinho de Barbie. Por outro lado, anos depois, tornou-se fã das verduras cruas ou cozidas, dos alimentos naturais, das comidas caseiras leves ou pesadas, das carnes cozidas ou assadas, sopas, sucos naturais, leite, massas, doces ou salgados. Enfim, ela se aliou a esses  alimentos por conta própria quando reconheceu  o sabor e a importância deles na sua alimentação. E isso foi essencial, pois mora sozinha e adora inventar pratos.

Meu maior prazer é vê-los em minha casa, assentados conosco à mesa para um almoço ou jantar. Não economizo nos mimos, como: pratos favoritos, bolos ou doces, além de beijinhos e abraços, lógico! Entretanto, fico atenta aos exageros porque sei que existem consequências danosas oriundas de uma alimentação inadequada, afinal “Somos aquilo que comemos”, não é o que dizem?

                                       (Zizi Cassemiro  – mãe do Danilo e da Patrícia; avó do Gabriel e do Johnny)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Comem quase tudo, mas...


O meu filho Mateus tem uma alimentação quase normal, pois come arroz, feijão, peixe, frango e carne vermelha, aliás, muita carne! Ele adora pizza, lasanha, pastel e quase tudo da família dos "salgados", ama sorvetes (desde que não sejam de frutas) porque o que ele gosta de fruta mesmo é só melancia, laranja, e às vezes, banana. Dispensa qualquer suco natural por refrigerante, eis a razão pela qual eu digo que ele tem uma alimentação "quase" normal! (risos)

Ele é igual ao meu pai, o olho é quem decide se vai gostar ou não (risos). Mas o que ele não come de jeito nenhum? A lista é enorme, a começar pela família dos doces, não come doces de nenhum tipo. Não é que não goste, ele simplesmente nunca experimentou (bananada, cocada, marmelada, goiabada, doce de leite, de abóbora, de mamão, de coco, leite condensado) ... Enfim, nenhum tipo de doce. (salvo o brigadeiro). Ele também não come canjica, pamonha, cural, pudim, cuscuz, tapioca, banana frita, mandioca, bolos (exceto  bolo de chocolate), sobremesas de qualquer tipo ou qualquer coisa que contém coco, aliás de coco, nem a água!

Da família dos legumes!?!... É lamentável! Com exceção de umas rodelinhas de tomate e de cebola, não come mais nada! Quando insisto muito, vai uma pequenina folha de alface, mas é só isso! E no caso das frutas!?... Triste!, Mas não come de jeito nenhum; manga, mamão, melão, pera, abacate, caqui, kiwi, dessas nunca provou nem para saber o gosto que tem!

Me pergunto, onde eu errei? Desde pequeno ele olhava, mas nunca quis nem saber o gosto. Quase todas as crianças gostam de lamber a lata de leite condensado, a vasilha do bolo que a mãe acabou de fazer, mas ele nunca quis.

Já o Elias tem uma relação melhor com a alimentação, não gosta de feijão e fígado, mas às vezes come um pouquinho. Há alguns alimentos que ele não gosta, a lista do que ele não come de jeito nenhum é bem pequena: jiló, quiabo, maxixe, berinjela. E não toma refrigerante, mas isso não é uma opção dele, a dentista proibiu. (risos)

Fico um pouco apreensiva com o Mateus, pois sei que na rotina alimentar dele falta muito dos nutrientes necessários para uma boa alimentação. Apesar de comer bastante, ele não come alimentos tão saudáveis! Mas... 
                                                                                      (Maria José - mãe de Mateus e Elias)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Isso ele não come de jeito nenhum!


Complicado isso, pois acho que a única coisa que ele não come é papel (risos), porque de resto... afe... meu gulosinho é bom de boca!! Ele gosta de tudo, não teme o novo e nem tampouco reclama dos experimentos malucos de seus pais.

Ele é apaixonado por banana, agora está acrescentando a maçã, mocinha nova da dieta... Gosta de limão, percebi que tudo que é azedinho ele traça, se deu bem com cebola e por ai vai... Fã incondicional do tomate (acho que é, inclusive, o alimento predilet dele).

Não posso dizer que ele não come isso ou aquilo porque ele é rei de me contrariar, de me fazer pagar micos, agora nem falo mais nada, apenas digo: - Pode dar, se ele aceitar...

Posso dizer que ele não "come comendo" é bolo, pois esse tem que ser do gosto dele, agora vai saber que gosto... (risos)

Menino difícil, porém sem exigências para comida, sempre receptivo a ponto de largar qualquer guloseima por um bom prato de comida (puxou a mãe, ohhhh alma de gordo que ele tem!)  e que come duas vezes na escola e chega em casa e come também. (risos)

Acho que ainda é cedo para ele decidir o que come ou não, mas estou fazendo a minha parte, apresentando a ele todas as comidas possíveis... Vamos ver!!

(Elizabeth Oliveira - mãe do gulosinho LG)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Não come de jeito nenhum!

Não digo que gostaria que Miguel fosse uma draga, que saísse por aí que nem o Diabo da Tasmânia comendo até pé de mesa e fazendo vergonha, como já vi muita criança olhuda fazer, mas também não precisava ser assim tão difícil pra comer! É de dar nos nervos, sem exagero! 

Já convivi um pouco com um guloso, que eu até tinha vergonha de levar às festinhas de aniversário, porque quando passava a bandeja de salgadinhos só faltava pedir pro garçom deixá-la em cima da mesa, só pra ele... sem falar que nem dava tempo de ninguém sentado na mesa comer unzinho sequer! Era assustador... parecia que não tinha comida em casa ou que tinha vindo diretamente da Etiópia! 

Miguel é o oposto disso, para o meu também desespero! Vai às festinhas de aniversário e só quer saber de brincar, raramente parando pra comer, e, quando o faz, é pra comer uma pipoquinha, uma metade de cachorro-quente, no máximo, e um copinho de refrigerante, quando a sede aperta, e, mesmo assim, prefere água, se tiver. 

Se fosse só nessas ocasiões, menos mal. Eu estaria feliz da vida! Mas isso ocorre em casa, em sua rotina, todos os dias, o que me deixa não só de cabelo branco, mas sem cabelo, já que todo dia perco um monte, maquinando o que mais posso fazer para resolver esse dilema. 

Já o deixei com fome, pra obrigá-lo a comer, mas ele preferiu dormir sem nada comer. E eu chorei a noite toda, esperando que ele acordasse e me pedisse um café com leite. Por essas e outras que às vezes acabo deixando substituir o jantar por um lanche, porque às vezes nem isso ele quer! No almoço, servido uma hora antes de ir pra escola, porque come que nem uma tartaruga com cãimbra, todo dia é um parto! Mesmo fazendo as comidas de que ele mais gosta, repetidamente! Em um ou dois dias funciona, nos outros nada! Desesperador! 

Saudades do tempo em que ele vivia pendurado no meu peito, mamando, absurdamente, e era gorduchinho! Aí tirei o peitinho para ver se ele começava a comer bem... aí o inferno começou! Deixou de comer até o que antes aceitava, para o meu desespero. Não toma mais nem um suquinho de laranja com couve, que amava! Bife de fígado, nunca mais! Purezinho de inhame, nada! Caldo verde, tomou nojo! Sopa, diz que enjoou! Frutas, nem de uva, caqui e banana gosta mais! Para ter ideia do tão ruim que ele é pra comer, nem para chocolate (pasme!) ele liga, nem pra balas, bombons, pirulito... Uma das coisas que ele não recusa, nunca, é sorvete... se for de morango ou creme, claro! Porque todo o resto ele recusa! Ahhhh, e açaí... ama... toma brincando um copo de 500 ml! 

Nem o Apevitin que dou às escondidas da pediatra tem feito milagre! E só falta tentar encarar o meu pavor de cozinha e virar mestre-cuca, capaz de fazer aquelas comidinhas gostosas e lindas, divertidas, que qualquer criança normal ama! Mesmo assim sabendo que, em se tratando do meu alienígena Miguel, até isso pode não resolver! Brabo... 

(Andreia Dequinha - mãe do Miguel, um chatinho pra comer)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Amigos: presentes do coração


Os primeiros grandes amigos das crianças são, sem dúvida alguma, os pais,  visto que representam aqueles com quem sempre poderão contar em qualquer lugar ou momento. Além disso, é um gostar despretensioso e incondicional que, dificilmente, outra pessoa conseguirá suplantar.

Essa base é de extrema importância para a formação do ser humano. Mesmo assim, o mundo não se resume somente em vínculos entre pais e filhos. Outros  espaços serão ocupados por determinadas pessoas de uma forma tão especial que fará a diferença na vida dos envolvidos. Precisamos de mais contatos, para o amadurecimento por meio da interação e da troca de experiências nas fases da nossa vida (infância, adolescência, adulta...), porque o ser humano é fruto do social; o individual cheira a solidão, que lembra isolamento,  que leva a perder-se em si mesmo como num abismo silencioso. Isso não é nada bom!

Meus filhos, graças a Deus,  tiveram uma infância rodeada dos primeiros amigos: os primos. Eram, praticamente, todos da mesma época. A diferença etária entre eles era pouca. Agrupavam-se por afinidades e brincavam muito.  Entre 1981 e 1988 nasceram quase todos eles.

Até o nascimento do Danilo, parecia um clube da Luluzinha formado por: Taís, Mônica, Denise e Kátia. Veio, então o meu terrível Danilo fazer a diferença e agitar a galera. Em seguida, mais uma lady: a Elaine, a quem o Danilo adorava perturbar; logo chegou outro um garoto: o Bruno, para (talvez) ser cúmplice do Danilo  nas brincadeiras ou peraltices; minha princesa Patrícia não demorou para desembarcar e se juntar àquela galerinha cognata; os meninos reagiram multiplicando-se em: Franklin e em seguida,  Lucas.  Muitos anos depois, mais um menino: o Ramires, que não participou plenamente  das brincadeiras por ser o  caçula.. Essas crianças cresceram juntas e criaram um vínculo fraterno. Eu tinha o maior prazer em passear com os meus e levar quase todos os sobrinhos juntos. Como eram parecidos, as pessoas pensavam que fossem todos meus filhos. Hoje, olho para esses lindos e lindas e me custa acreditar que o tempo, magicamente, piscou o olho e os tornou adultos.  

A fase escolar proporciona diversos vínculos de amizade para a maioria das crianças. Danilo, embora tivesse vários colegas, não demonstrava tanto interesse em andar em bandos.  Quando atingiu a adolescência, estreitou seus laços a alguns deles e juntos formaram uma banda de rock que durou um determinado tempo.  Desse grupo faziam parte: Leonardo, Rafael, Caio e Bruno (o primo). Pareciam irmãos, tamanha a afinidade. : iam juntos a shows, cinemas, curtiam jogos e músicas. Até que outras prioridades ligadas à vida adulta,  parcialmente os afastaram. Porém, antes disso, Danilo quis homenagear o Leonardo convidando-o para padrinho do Gabriel e, dessa forma, a amizade e o contato deles se mantiveram.

Patrícia, a mais nova das meninas, era tratada como uma bonequinha pelas primas. Embora pequena e aparentemente frágil, nunca se submeteu aos meninos. Eles que não entrassem na linha! Uma autêntica baixinha brava! Na escola conquistou várias amigas entre elas: Verônica, Rose,  Daniele, etc. Faziam todos os trabalhos escolares juntas em casa, brincavam, dançavam, cantavam, inventavam coisas... Um iminente dia, cresceram e se envolveram com os planos futuros. Patrícia foi estudar longe durante cinco anos e o contato se reduziu. Verônica se casou;  Daniele também. Esta quando teve o primeiro filho “Alyson”, escolheu a amiga Patrícia para madrinha, reativando e fortalecendo um elo de anos.

Interessante como o destino constrói os caminhos: traçando-os de acordo com a natureza dos fatos e as possibilidades de ligação entre eles. Por exemplo:  o filho da Daniele: o Alyson, é o melhor amigo do Gabriel, meu neto, e , além de se darem super bem, são parecidos não só na fisionomia como nos gostos e nas atitudes.

Os gêmeos Guilherme e Gustavo são igualmente muito presentes na vida do Gabriel desde bebês. Todos os aniversários, o primeiro pedaço de bolo, o Gabriel oferecia aos gêmeos. Essa amizade terá vida longa, pelos vistos.

Outrossim, não posso esquecer de mencionar as ilustres amigas-irmãs da Patrícia: Eleonora (Carinhosamente chamada de Lola); a Josiana (Josy)e Jamila, dentre outras. Essas garotas se conheceram na época da faculdade, moraram juntas em repúblicas e dessa época veio esse laço afetivo que até hoje permanece.

Em suma, as amigas são tantas, porém há um amigo em especial: Lucas, o primo. Eles, desde pequenos, são muito próximos e unidos,  confiam-se mutuamente, adoram se encontrar,  trocar presentes e (às vezes)  segredos, o respeito e carinho que um tem pelo outro é, no mínimo,  sublime.

O ensinamento dos pais não vem só pelas palavras, mas se concretiza no bom exemplo. Danilo e Patrícia, souberam, cada um a sua maneira,  cativar pessoas, formar elos significativos, respeitar e aceitar as peculiaridades que singularizam cada ser, guardando-o no coração à  sete chaves.

                                         (Zizi Cassemiro -  mãe do Danilo e da Patrícia; avó do Gabriel e do Johnny)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Amizade: um tesouro precioso!

Tão importante quanto ter amigos, é saber ser amigo... As amizades nos ensinam a ser pessoas melhores, mais tolerantes, mais solidárias e, sem dúvida, mais felizes.

A infância é um período de aprendizagem em todos os sentidos, e ensinar aos pequenos a importância da amizade e principalmente a necessidade de cultivá-las é uma missão desafiadora para os pais.

Meu filho Gabriel foi filho único até os quatro anos de idade, quando então o João chegou em nossas vidas. Até os três anos eu percebia que ele era uma criança que tinha uma certa dificuldade para fazer amizades, era tímido, às vezes egoísta e autoritário. A convivência com os coleguinhas da escola ajudou muito na superação dessa fase, e a chegada do irmão também contribuiu.

O João, ao contrário do irmão, sempre foi mais comunicativo e desinibido. Ele é do tipo que todo mundo que passa por ele e diz um "oi" já é amigo dele. (risos)

Aos poucos fui ensinando que as coisas não eram bem assim, até porque, no momento em que vivemos, é preciso ter muito cuidado, e infelizmente nem todos podem ser considerados amigos de verdade.

Felizmente meus pequenos têm hoje muita facilidade para se relacionar, fazer novas amizades e principalmente estão aprendendo dia após dia a cultivar as boas amizades e a se afastar daqueles que, de alguma forma, os prejudiquem.

Eles têm alguns amigos em comum, e com os quais estão sempre juntos, seja na escola, nos fins de semana, naquele passeio (sempre monitorado), nas festinhas.

São o tipo de crianças que gostam de receber os amigos em casa, e, quando isso acontece, eles sempre pedem para que eu faça bolos, pudins, pipoca e sucos para as visitas. Acho isso lindo, pois eles tentam, de alguma forma, agradar seus coleguinhas, por isso sempre atendo os pedidos e os auxilio nessa missão.

Entre tantos colegas e amigos, assim como nós adultos, há entre eles os preferidos, ou simplesmente aqueles com os quais têm mais afinidades. O melhor amigo do Gabriel chama-se Junior. Ele estuda na mesma escola que eles, e por isso estão sempre juntos. Eles costumam se encontrar nos fins de semana, quando possível, para brincar, tomar aquele sorvete e adoram ir para as festinhas juntos.

Percebo que essa amizade é muito verdadeira e que faz muito bem para meus pequenos e por isso tento ajudá-los na tarefa de cultivá-la. Em  meio aos desentendimentos, que são naturais em qualquer relação, ensino que o que é verdadeiro sempre permanecerá, e que é muito importante aprender a perdoar e a pedir perdão quando estamos errados.

Aos poucos tento ensiná-los o valor de uma amizade verdadeira e que ser amigo é muito mais que dividir bons momentos, é também compartilhar dores e frustrações. E principalmente que a amizade é um tesouro precioso que precisa ser descoberto e cultivado!


                                                                            (Elizabete Sampaio - mãe de Gabriel, João e Miguel)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Miguelito olímpico na área!


Apesar de não estar nada animada e nem otimista com relação às Olimpíadas, principalmente devido à podridão vinda do descaso, do caos, da irresponsabilidade e da escrachada corrupção, embora eu reconheça que todos os atletas -- que se prepararam para esse evento durante anos -- merecem (e muito) o nosso respeito e o nosso carinho, eu comentei com o Miguel sobre esse concurso do Megaeventos Ministério do Esporte e elezinho logo se animou. 

Só ficamos sabendo na véspera de enviar o desenho e graças à minha amiga Verônica Tavares, que, aliás, irá conduzir a tocha olimpíca em uma das cidades em que trabalho: Arraial do Cabo. O Miguel já se animou também e disse que quer estar presente nesse momento! 

Não fazia ideia do que ele desenharia, já que não me pediu ideia nem opinião! Pegou as canetinhas, os lápis de cor, uma folha da minha impressora e, decidido e inspirado, lá foi ele! E voltou logo depois me mostrando o desenho! Lá estavam os mascotes Tom e Vinícius, segurando, ambos, a tocha! Que fofo! E que difícil, pois eu não saberia desenhar nenhum dos dois! Confesso! (risos) Ainda teve direito a alguns detalhes, como o sol, a flor, um (segundo ele) fogo de artifício. Esperto, deu um título à obra (Rio 2016) e ainda assinou, como todo artista que se preze! 

O desenho dele está lá concorrrendo, com mais uns cinco ou seis de outras crianças. Por enquanto está na frente, graças a tantas curtidas de amigos e também muitos compartilhamentos! Sou suspeita pra falar, já que achei o mais bonito de todos, o mais colorido, o mais ousado, o mais simpático, o mais dinâmico... e eu, claro, a mãe mais coruja do mundo! (risos) 

Já falei que, apesar de ele estar na frente, e com uma boa vantagem, até amanhã tudo pode mudar, mas que, assim como nas Olimpíadas (e na vida), o importante não é ganhar e sim competir, se arriscar, ousar... e disso ele entendia melhor até do que muito adulto! Independente do resultado, ele será sempre o primeiríssimo em meu coração e levará, claro, o ouro olímpico, e olha que nem precisa haver olimpíada nenhuma pra isso! Meu campeão! Meu artista! Meu amor! 

(Andreia Dequinha - mãe do Miguelito olimpíco)

Melhores amigos!?!... Cumplicidade em qualquer fase da vida!


Quando ganhei os meus filhos, morávamos numa chácara. Era um lugar bem sossegado, e, por isso, durante algum tempo, eles não tiveram muitos amigos, brincavam só os dois, ou com os primos, Isaque e Pedro, que são amigos do coração e sempre passaram temporadas com a gente, desde bem pequenos, e isso continua acontecendo até hoje.

O Leo era um dos poucos amigos do Mateus, eram colegas da escola, de vez em quando ele aparecia em casa e eles adoravam brincar juntos. Depois de estudarem na mesma escola por algum tempo, o Leo foi embora para outra cidade, e quando vinha para a Barra, dava uma passadinha em casa para colocarem os assuntos em dia, mas o tempo passou e nunca mais soubemos dele.

Atualmente o Mateus tem um grupinho de amigos e são eles: Welder, Reyllan, Hellen e Gaby, são jovens universitários de outros estados que fazem faculdade aqui na nossa cidade e de vez em quando almoçam aqui em casa, praticamente todos os sábados. Eles dividem a alegria do futebol, algumas vezes o violão e as festinhas de aniversários. É uma turminha até agradável! (risos)

Já rolou até cinema em outra cidade, sem o meu conhecimento. O Mateus pegou o carro e simplesmente foi, só me contou no outro dia, isso porque o pai dele desconfiou do tanto que o carro andou de um dia para o outro, perguntamos e ele disse que ia contar, que só fez isso para eu não ficar preocupada. É um menino bem tranquilo, mas cometeu essa proeza em nome das amizades! Imaginem a cena! Mas não briguei, só falei para não fazer mais isso. (risos).

O Elias tem um histórico de amigos que merece até o troféu "campeão de amizades". A amizade mais sincera foi o Luis, da quarta série. Ele vinha aqui em casa todos os dias, nunca falhava, isso aconteceu durante três anos ou mais. Havia, na época, outros coleguinhas que vinham muito aqui, mas o Luis foi um amigo verdadeiro. O Elias mudou de escola, e ele continuou vindo aqui em casa todos os dias, mas isso também passou, aos pouquinhos ele foi diminuindo as vindas, até que parou, mas eles continuam amigos, quando se encontram conversam muito, mas raramente ele vem aqui em casa.

Os amigos da escola são companheiros de aprendizado, e de aventuras. Há sempre muitas histórias para contar, mas há principalmente aqueles colegas de classe que acabam se tornando os melhores amigos. Foi isso que aconteceu com o Elias e a turminha (Escola Júlio Müller). Jefferson (mora com a gente), Daniel Arruda, Mateus Gomes, Fábio e Bruno. Alguns deles vêm sempre aqui em casa, e até dormem de vez em quando. Sempre programam um cachorro-quente, um refrigerante, assistem a filmes, e vivem planejando alguma coisa para estarem juntos.


As amizades são muito importantes, elas têm um papel fundamental na vida de nossos filhos, já que esses laços tornam a vida mais colorida, mais encantadora. Amizade é saúde, alegria, cumplicidade, companheirismo e isso faz bem em qualquer idade. Ninguém vive sem amigos, por isso a Bíblia nos fala disso, em grande estilo:

"É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!" (Eclesiastes 4:9-10)


                                                                                             (Maria José -  mãe de Mateus e Elias)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Melhores amigos - Muito amor envolvido

Amizade é coisa séria, e meus meninos levam isso beeeeeeem a sério.

O melhor amigo do meu pequeno LG é o primo Bryan, os dois têm uma paixão incontrolada um pelo outro.

Antes o primo era o único centro das atenções, mas, com a chegada do Gu,  como ele chama, tudo mudou, ele se tornou responsável por ensinar as coisas para o bebê, afinal ele é o mais velho, e assim segue nossa trajetória, com o pequeno imitando sempre o mais velho...

São doces e suaves finais de semanas em nossa casa, às vezes na casa da vó... na verdade ele é primo neto do Gustavo, e ainda tem a diferença de 5 anos, que some quando estão juntos.

Cada fase é uma novidade, uma alegria, uma gargalhada ou esporro novo, porque os dois são movidos a tapas (risos). 

Certo dia, o primo chega e me diz na maior cara de pau que eu já poderia morrer, porque ele já pode cuidar do Gustavo, que era para eu não me preocupar... pode isso, Jesus? (risos)

A mais nova deles é que o primo quer fazer tudo que o Gu faz, se dorme ele também, se come ele idem.. duplinha do barulho!!

Sei que meu pequeno terá amiguinhos na creche, mas paixão como tem por esse acho que jamais! Esse era o sonho de minha falecida cunhada, porque o pai do Gu tem mais crias, mas todas afastadas da família, o único que está perto é o meu, e ela queria tanto curtir... Bom, não deu, mas sei que ela está feliz com a união dos dois...!! Meus dois Homens Aranhas, alegria de nossos finais de semana, orgulho de nossa pequena família... Peço a Deus que eles sigam sempre juntos, se divertindo, sendo felizes, grandes melhores amigos!! 


(Elizabeth Oliveira - Mãe do Luis Gustavo - LG) 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Arthur e Guigui: amigos do peito do Miguel, eternamente!


Miguel ainda estava no meu barrigão quando eu via uma menina passar em frente ao meu portão com um bebezinho, quase todo dia. Depois descobri que ela se chamava Mariana e que era irmã de uma colega minha, a Aline. Morava aqui na rua, mais um pouco lá pra frente. O bebezinho? Descobri que se chamava Arthur, aliás, Arthur Benício, como Miguel costuma sempre chamar. Quis depois o destino que a gente se aproximasse, fizesse amizade, e, quem diria, essa amizade não só se fortaleceu como dura até hoje! E uma amizade dupla: a mãe do bebezinho é minha amiga querida e o Arthur ganhou o posto não só de amigo do meu filho, como também o de MELHOR AMIGO! 

Foram muitos os momentos de brincadeira... e hoje não são mais aqueles bebezinhos gorduchos que mal falavam... são rapazes inteligentes, criativos e suuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuper tagarelas! (risos) 

Depois eles se mudaram daqui da minha rua, o contato diminuiu, mas nem assim a amizade esfriou. As pracinhas ainda eram nosso ponto de encontro e as festinhas de aniversário também! Mas, neste período, o Miguel arrumou, na escola, um outro MELHOR AMIGO: o Guilherme, ou melhor, o Guigui. E eu, sortuda, de brinde, também ganhei uma amiga querida: a mãe dele, a Rosimar. Foi um ano de trocas... de cumplicidade... mas aí no final do ano os dois saíram da escola e eles se mudaram para São Pedro. O contato diminuiu, mas a amizade continua até hoje, regada a uns bons cineminhas! 


Na nova escola, o Miguel e o Arthur acabaram se aproximando novamente e assim foi durante um, dois, três anos! Como este ano eles não estão mais estudando juntos e, por conta disso, estão mais afastados, pra confirmar, acabo de perguntar ao Miguel quem é o seu MELHOR AMIGO, a que ele prontamente responde: "-- Ainda é o Arthur Benício, ué!" (risos) (Mas ele também não se esquece do amigo Guigui... nunca...!!!)

Um já dormiu na casa do outro, já passaram dia juntos, se falam pelo WhatsApp que nem gente grande, marcam as coisas, riem, contam piadas, são tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes! Que, mesmo em meio a tantos outros amiguinhos, sempre reste um espaço especial no coração de cada um pro outro habitar. 

Tomara que essas amizades continuem por muito tempo, para podermos acrescentar mais capítulos a essas histórias e mais fotos a estes mosaicos. Que venham fotos deles adolescentes, moços, quarentões, velhinhos!!! 

(Andreia Dequinha - mãe do melhor amigo mais fiel do mundo: Miguel)

domingo, 17 de julho de 2016

Ser madrinha é uma honra!


Ser convidado(a) para batizar alguém é, antes de tudo,  uma demonstração de carinho e confiança em nós e, ao mesmo tempo, representa uma homenagem carregada de um compromisso que acompanhará a função de madrinha/padrinho nos próximos dias e anos. É, portanto, uma decisão simples e complexa se considerarmos os vários ângulos de um mesmo olhar.

Se recebeu o convite, provavelmente já existe aí uma amizade com vínculo afetivo que, certamente, não encontrará obstáculos em permanecer-se. Por outro lado, a palavra “compromisso” tem uma relação próxima com alguns termos menos simpáticos como: obrigação/dívida/pacto/ peso/responsabilidade...que, de certa forma, assustam.

De acordo com a etimologia, a palavra madrinha (”de matrem, caso acusativo do latim mater, pronunciado madre no português dos primeiros séculos, de onde veio comadre, pela formação cum matre, com a mãe; depois commatre, segunda mãe, madrinha”), realça a importância de se ter mais alguém presente e preocupado com a educação da criança, além dos pais. É, portanto, algo significativo para aquele ser em evidência que precisará de todo apoio possível para lidar, futuramente, com um  mundo de improbabilidades,  sem perder a firmeza necessária.

O grau de agradecimento pelo convite e a dúvida se está realmente preparado para tal decisão são duas vertentes que,  a princípio, se mesclam e, em seguida,  se definem de acordo com a disponibilidade e agrado que o convite lhe causou. Se haverá possíveis encantos ou desencantos, dúvidas que somente o tempo responderá. Geralmente consultamos o passado para resolver o presente, mas nem sempre é uma regra válida, serve apenas como referência.

Causa estranheza saber que alguém que fora convidado para ser padrinho, desistiu por não concordar com a escolha da madrinha. E foi o que ocorreu comigo. Meu tio materno José, (carinhosamente chamado de Dedé) era o escolhido, mas não suportava a moça indicada para madrinha: Cosma (nome diferente, em homenagem a Cosme e Damião, figuras importantes na religião católica e em afro-brasileiras) Por isso cancelou sua participação no evento do meu batismo e meus pais tiveram que, às pressas, arranjar um substituto.  O indicado, então, foi um primo: Vicente, conhecido como “Teta” (obs. Pronúncia aberta e não fechada do “e” rss)

Fui batizada por: Teta e Cosma. Mas durante a minha vida a presença deles foi rara, salvo que ele foi também meu padrinho de casamento em 1982. Há mais de 45 anos perdi o contato com  minha madrinha e nem sei onde mora. Meu padrinho, eu o via esporadicamente na casa da minha mãe. Visitei-o algumas vezes há pouco tempo. Hoje, fazendo uma análise desse elo, eu afirmo que não houve uma interação plena e satisfatória de ambos os lados. Eu o considero mais como da família do que alguém intitulado “padrinho”.

Essa preocupação levou-me a refletir bastante na escolha dos padrinhos dos meus filhos. Todavia, eu nem tive tempo de decidir sobre o primeiro filho. Quando demos a notícia de que eu estava grávida do Danilo, um amigo do Marcos, o Manuel (chamado de Mané) se auto-convidou para padrinho com tanto carinho e boa disposição que foi impossível recusar. Afinal, ele era muito companheiro do meu marido e gostava da família. Durante a infância e adolescência do Danilo, Mané e Cidinha sempre visitavam o afilhado, conversavam, brincavam e traziam presentes. Depois que meu filho ficou adulto, esse contato se reduziu por diversos motivos: houve problemas de saúde da madrinha, lamentável tragédia na família dos padrinhos e, infelizmente, o falecimento da madrinha. As coisas tomaram outro rumo, mas a amizade com o padrinho se manteve;  de vez em quando nos esbarramos na rua, na feira e em visitas raras.

Na segunda gravidez, os escolhidos foram: Vera, a minha irmã caçula,  e Adélio, o esposo dela, para padrinhos da Patrícia. Foi uma troca justa, já que eu e o meu marido somos padrinhos do filho deles: o Bruno. Essas crianças cresceram juntas. Nossa família se via toda semana. Eles sempre presentes participando de cada detalhe da vida da minha filha e eu fazendo o mesmo. Esse contato frequente foi extremamente significativo. Existe um carinho e respeito muito grande que perdura. Embora as obrigações do mundo adulto ocupem muito as pessoas reduzindo o seu tempo disponível, há os momentos de se ver, trocar presentes, contar piadas, compartilhar novidades, ensinar, aprender, etc...  Não há preço para isso.

As páginas do tempo foram passando e...meu filho foi pai bem jovem: aos 20 anos. Gabriel nasceu em fevereiro de 2004 e, novamente, a preocupação referente aos padrinhos brotou logo. Entretanto, eu era avó e não cabia decidir sobre o assunto (Sugerir sim, para não perder o hábito rss). Depois de estudar as possibilidades e indicações, meu filho e a mãe do Gabriel optaram pela escolha de amigos que não formavam um casal: Leonardo e Lílian. Ele: amigo de infância e adolescência do Danilo; ela: minha amiga, colega de trabalho que frequentava a minha casa e até hoje tem amizade com todos nós.
Leonardo aceitou de coração, mas um episódio fez com que a Lílian desistisse do encargo, abrindo, assim uma lacuna que deveria ser preenchida antes do batismo da criança. (acho que já vi uma cena bem parecida com essa há uns anos...).

Precisaria ser alguém que aceitasse, sem hesitação ser madrinha do Gabriel. E foi assim que entrei nessa história. Além de avó, sou a “madrinha chicletinho”, ou seja, muito presente,  que dá presentes, beijinhos, abraços, afagos, orientações, broncas, punições e tudo o que estiver ao meu alcance e for necessário para o bem dele. Se madrinha representa a segunda mãe (de acordo com a própria etimologia da palavra), então, cumpro o meu papel com muito prazer e orgulho. Obrigada, meu Deus, por essa graça!

Leonardo, padrinho do Gabriel, é uma pessoa muito ocupada com o trabalho, os estudos, a música, a família, os amigos, as viagens, etc., porém sempre arruma um tempinho para visitar o afilhado, sentar ao chão com ele e compartilhar jogos, brinquedos,  conversas, risos, informações. Eles têm muita afinidade, tornaram-se grandes amigos e aproveitam bem o tempo quando estão juntos para matar as saudades e se divertirem. Não se veem com a frequência desejada, mas a  qualidade e o carinho de quando se encontram, é visível e  compensa.

Uma tela é insuficiente para as pinceladas que representam enredos resgatados nas memórias mais antigas e nas recentes. Despejei parte delas neste painel de reminiscências e reservei o restante para (quem sabe!) uma eventual postagem na qual eu discorra especificamente sobre: Bruno, Cristiano, Paulinho, Gabriele, Lucas, meus outros queridos afilhados. Que Deus os abençoe!


                   (Zizi Cassemiro - mãe do Danilo e da Patrícia, avó-madrinha do Gabriel e avó do Johnny)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Papel de madrinha!?! ... Talvez!

 (Postagem extra sobre o tema da semana! Uma pequena homenagem aos meus filhos do coração!)


Quando cuidamos de alguém como se fosse nosso filho, nos sentimos meio mãe, então eu acho que é esse o papel de uma madrinha, mas, como não sou a madrinha verdadeira, fico mesmo com o papel de mãe, que é, talvez, muito mais apaixonante! É isso que tenho sido para um dos amigos dos meus filhos, que mora com a gente desde setembro do ano passado. Os pais dele são separados, a mãe mora em outro estado, não a conheço, e o pai mora aqui mesmo na nossa cidade, já o vi algumas vezes, mas nunca conversamos.

O Jefferson morava praticamente sozinho, o pai dele é dono de uma borracharia "vinte e quatro horas", e, por causa disso, ficava sempre por lá. Um belo dia, o pai dele teve que entregar a casa onde moravam e ele teve que se mudar para a borracharia, e, como era meio fora da cidade e tinha que pegar a BR para se locomover, ficou um pouco difícil pra ele, por causa de dois horários que precisava para frequentar a escola, no período matutino o terceiro ano, e à noite fazia um curso.

Meu filho Elias comentou comigo, então falei que se ele quisesse ficar com a gente, não tinha problema. E assim foi feito! Ele está até hoje com a gente, e acredito que se sente bem, pois faço por ele tudo da mesma forma que faço para os meus filhos. Quebrou o pé, cuidei de tudo, levei-o ao hospital várias vezes, enfim, cuidei como se fosse meu filho! 

Além disso, me sinto também uma "tia-mãe", já que tenho dois sobrinhos que gostam muito da nossa companhia. Eles moram em outra cidade, bem perto daqui, e vêm pra cá todas as férias, feriados, greves e tudo o mais que proporcione a oportunidade de eles correrem pra cá.

O Isaque tem vinte e um anos e o Pedro, quinze. Desde bem pequenos eles vêm passar algumas temporadas com a gente. Acredito que se eles continuam vindo durante todos esses anos é porque há uma boa recepção, pois, de outra forma, não iam querer vir. Acho que não sou uma tia tão ranzinza! (risos)

Eu imagino que isso traz um benefício tão grande para a nossa vida! Há um vínculo afetivo tão grandioso entre nós, uma cumplicidade muito significativa! Isso não tem preço, pois os considero filhos do coração, e sinto que aprendi muito com isso. Há muito mais histórias para relatar sobre esse papel da madrinha que, na verdade, não sou, já que me sinto muito mais que isso! Me sinto mãe!!

                                       (Maria José - madrinha e mãe do coração de Jefferson, Isaque e Pedro)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Eles não têm padrinhos!


Meus filhos não têm padrinhos, porque não foram batizados quando eram crianças. Várias passagens bíblicas enfatizam o quanto o Batismo é um assunto importante, mas creio que ele está relacionado a uma decisão, a uma entrega voluntária, quando alguém decide vivenciar esse momento, conforme o desejo do seu coração. Bem sabemos que a obra é de Deus, mas os corações e as vontades são individuais!

Algumas igrejas evangélicas costumam fazer a apresentação de um bebê ao Senhor, como um ato de gratidão, um momento de alegria inexplicável! Esse ato não tem o caráter de um Batismo, é apenas um compromisso da família em apresentá-lo à igreja e aos amigos, pela alegria de saber que esse bebê crescerá nos ensinamentos do Senhor, que os pais darão àquela criança uma orientação sobre o caminho em que deve andar.

Quando Moisés resumiu a vontade de Deus para os israelitas, nas últimas semanas de sua vida, ele disse: "Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te". (Deuteronômio 6:6-7). Foi isso que fiz pelos meus filhos: ensinei, mostrei a direção, mas o poder de decisão não me pertence, são eles que vão fazer a escolha, já que são livres para decidirem pelo Batismo, quando sentirem esse desejo.

O Mateus já fez essa decisão, há quatro anos e, na verdade, até achei muito cedo, mas foi uma escolha dele, eu não podia interferir. Quanto ao mais novo, ainda não fez essa decisão... Mas é por isso que a Bíblia diz: "Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo dos céus." (Eclesiastes 3:1)

O Batismo é um grande privilégio, um mandamento do Senhor, e vai muito além de escolher alguém que possa estar presente na vida de nossos filhos quando não pudermos estar; trata-se de um compromisso com Deus, uma aliança. É preciso lembrar que religião não salva ninguém! Deus é que faz a nossa vida ser grandiosa! O importante é a alegria e o privilégio de estar junto aos nossos filhos para que eles sintam segurança ao tomar suas decisões, principalmente aquelas que marcam a nossa vivência familiar e a nossa intimidade com o Criador.

(Maria José - mãe de Mateus e Elias)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ser padrinho...

Na minha infância (preciso passar por lá para não perder o costume), fui informada de que tinha como padrinhos dois dos irmãos da minha mãe que já eram, obviamente, meus tios. E, por esse motivo, com o tempo, fomos nos esquecendo desse enlace. Nem um nem outro cumpriu com o significado, digamos social,  da palavra ou posto, não sei como nomear.

Entretanto, não sofri. Meu padrinho era o famoso da família. Sabe aquele que todo mundo ama? Eu tinha o orgulho de me intitular sua afilhada, mas não passou disso. Ouvi algumas vezes, por parte dele, que ficou me devendo essa, meio arrependido por não ter me dado a  atenção devida. Sempre o consolei com um abraço e uma piscada de olho.

Na época do meu primogênito, fiz questão de não reproduzir o vínculo familiar. A madrinha do Renan era minha amiga de trabalho. Fizemos tratamento para engravidar juntas. Dividimos todas as nossas angústias. Ela esteve ao meu lado quando eu perdi as gestações anteriores, não se  cansava de me estimular. Havia dado provas e mais provas de que seria eterna na vida do meu filho e, até hoje, não tenho do que me queixar.

A madrinha da Maitê conheci no primeiro dia da graduação. Andréa. Em pouco tempo se tornou  melhor amiga e irmã. Sabe aquela amizade que você resolve levar para a vida? Que nem todos os dias seriam suficientes para que contássemos as novidades e pudéssemos falar sobre os assuntos do mundo, sem limitação de temas? Então, é essa! É uma pena morarmos tão distante, e,assim sendo, não nos encontramos com a frequência devida.

Hoje, a internet também nos faz um tanto preguiçosos e acabamos nos vendo e falando mais por imagens e postagens." E viva o mundo virtual!" “E viva Kuda!” Peço desculpas, mas o segundo "viva", somente ela entenderá. (risos)

E os padrinhos? Estão pensando que eu me esqueci deles ou que tudo é perfeito? “Nãnãnã” A madrinha do Renan se separou e o padrinho resolveu se distanciar. Sendo assim, aos dois anos de idade, o Renan ficou sem padrinho. Fiquei inconformada com a situação, tentei restabelecer contato... Eu me senti até arrependida pela escolha, mas tudo valeu a pena pela Márcia, minha querida Kuku. Esta fez papel duplo por muito tempo, sem deixar a peteca cair.

Anos mais tarde, Márcia se casou de novo e o seu novo marido abraçou o Renan como um verdadeiro padrinho. Uma graça a forma com que os dois se aproximaram e criaram vínculo. Infelizmente, pela vontade do Criador,  o meu querido compadre, Eliomarques, ou Marcos, nos deixou há pouquíssimo tempo e um vazio  enorme se abriu em nossos corações.

Ciente de que a questão de ser padrinho estava além de parentesco, escolhi para acompanhar a Andréa, já que na época também havia se separado, o meu sobrinho Waltinho. Este soube e sabe ser um padrinho. Apesar de morarmos “beeeem” pertinho, não nos vemos com muita frequência. Entretanto, em todos os encontros, ele faz questão de saber sobre a Maitê e se mostra sempre preocupado com o desenvolvimento dela. Ele também não deixa de me abrir os olhos e acreditem que já até levei umas "bronquinhas" pelo que, na opinião dele, eu falho. (risos)


Vou começar a finalizar este texto, com o coração apertado, mas emanando boas energias para a minha madrinha que partiu há pouco  Para o meu padrinho, continuo piscando olhinho e dizendo que não me deve nada.

À Kukuzinha, madrinha do Renan, o meu eterno agradecimento. Para ela, um trecho da canção “Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver.” Ao primeiro padrinho do Renan, deixo uma banana, não há explicação plausível. Ao segundo, que se encontra ao lado de Deus, agradeço imensamente  por ter preenchido de forma tão brilhante esse papel e  lacuna na vida do meu filho.

Para a doce Déa, digo que é e sempre será o melhor que consegue. Sei que um dia, seremos vizinhas para que possamos nos ver mais. Trata-se de mais um dos nossos projetos de vida ou não? (risos) Por aqui também registro que não estou me queixando, pois nossos raros encontros são mágicos! Amo você!! “E viva Kuda!” Ao Waltinho, penso que não poderia mesmo ter escolhido melhor. Você é perfeito no que faz e em suas colocações. Maitê terá muito a aprender contigo. Amo você !!!!

Justificando o título, venho dizer que aprendi que ser padrinho é ser companheiro. É estar presente como a Márcia, se preocupar como a Andréa, ser carinhoso como o Marcos e, por fim, ser objetivo  e seguro como o Waltinho. Ser padrinho só não pode ser: abandonar.

                                         (Mônica Jogas - mãe do Renan e da Maitê)

terça-feira, 12 de julho de 2016

Os dindos do Miguel

Meus pais ficaram em dúvida na hora de escolher o meu padrinho e, entre Vicente e Carlinhos, este foi o que ganhou, infelizmente. Eu preferia que fosse o primeiro, porque ele sempre foi super presente e carinhoso comigo, até o dia em que faleceu (ou seja, não deixou de ser, na prática, meu padrinho, independente de título!). O outro, eu quase nem via e só foi me procurar depois de grande, recentemente. Não tive o menor saco, confesso. Há lacunas que não podem ser mais preenchidas... que pena...!!!

Na hora de escolher a minha madrinha foi aquele auê! Minhas três primas queriam. Começou a disputa. Três irmãs: Graça, São, Iza. Mamãe, diplomática, escolheu o trio: uma para batismo, uma para consagração e outra para crisma. Acho que só mesmo a primeira, de fato, recebeu o título. Também não tenho muuuuuuito contato com elas.

Com relação ao Miguel, mesmo ouvindo umas duzentas vezes de mamãe que "não é certo deixar pagão" e tal, como não me considero mais católica há tempos, não cedi à pressão e não o batizei. Nem pretendo. Penso que qualquer convenção só tem validade se ela passar pelo desejo (sincero) do coração. O meu não pediu, até hoje, então...

Como, na época, eu estava indo esporadicamente a alguns cultos, concordei, então, em "apresentá-lo ao Senhor" na igreja S8, rodeados de amigos muito queridos, e assim fizemos (mesmo com meu lado crítico afirmando que o Miguel já havia sido apresentado a Deus há tempos, desde o meu ventre, e, inclusive, elezinho só veio por desejo e permissão Dele!).


Mesmo assim, escolhemos um padrinho e uma madrinha, muito mais de consideração do que de título. O combinado era o pai escolher o primeiro e eu a segunda, já que não entrávamos, pra variar, em um consenso. Eu queria que o meu cunhado fosse o padrinho, mas, por conta do acordo, o Marco foi o escolhido por Jeter. Não me opus, já que o considero um cara muito legal, educado, paizão, querido, embora não tão presente na vida do meu filho. A madrinha... que confusão... quase a Terceira Guerra Mundial... eram várias as candidatas... Tinham as minhas amigas Wellen e Lucimara, e a minha prima Iza, mas quem acabou faturando foi... a minha irmã! 


Não me arrependo também da escolha, já que ela se amarra no sobrinho-afilhado e tenta estar sempre presente, apesar da distância física, por morar longe... Só lamento o fato de ele ter que ficar distante, a maior parte do tempo, de uma pessoa que ocupa duas funções tão importantes: de tia e de madrinha, mas... 

De qualquer maneira, sei que a ausência de hoje (física ou não) não é necessariamente a de amanhã e que o mundo gira, e fico feliz e aliviada por saber que meu filho, além de mim, poderá vir a contar com mais essas duas pessoas, dentre tantas que se amarram nele! E é isso que importa! Independente de religião, o que importam são as escolhas feitas pelo coração, reforço, e saber que Deus está presente em cada uma delas, abençoando, servindo de bússola, dando sempre a direção! 

(Andreia Dequinha - mãe do abençoado Miguel)