sábado, 18 de junho de 2016

Ter ou não ter desejos: eis a questão!!



Estar grávida é abrir seu mundo para um novo ser que nos provocará alterações físicas, psicológicas e emocionais durante o tempo em que fazemos o papel de casulo daquela frágil vida que se inicia. 

Toda gravidez gera um poço de expectativas tanto para as mamães como aos demais interessados. Nunca saberemos qual reação nesse período porque dificilmente acontece da mesma forma.

Eu fui a última filha a se casar e também a engravidar. Meus olhos e coração acompanhavam as experiências das integrantes da família para servir como base. Entretanto, quando chegou a minha vez, só soube que estava grávida devido a ausência  das regras e, posteriormente,  o exame confirmou. Eu nunca me senti tão bem disposta!

Minha rotina era agitada porque eu sou “ligada na bateria”. Gostava de ir para a casa da vizinha pulando o muro, ao invés de dar a volta e entrar pelo  portão; adorava andar de bicicleta e não parei. Ía de um canto para outro as pedaladas enquanto a barriga, progressivamente, ia tomando sua forma devida; quis mudar a cor da casa e fiz isso faltando cerca de duas semanas para o nascimento. Para mim não havia problema algum subir e descer de alturas consideradas perigosas para o pessoal. Lógico que minha mãe e sogra me advertiam muito por esse meu jeito “normal” de ser. De tanto buzinarem em meu ouvido, reduzi os passeios de bicicleta e esqueci, temporariamente o muro, mas não estacionei, lógico, apenas troquei pelas longas caminhadas. Ía e voltava toda semana à casa da minha mãe e irmãs a pé, totalizando um percurso de quatro quilômetros  (não é muito, eu sei.) Tarefas de casa, continuei fazendo todas com a mesma intensidade de antes. Como eu afirmei, eu me sentia cheia de coragem, gostava de estar a frente de tudo e na minha vida nunca houve espaço para manhas. Meus pais contavam que quando criança eu não gostava que me carregasse no colo, eu queria ir ao chão para andar ou correr livremente.

O único desconforto, que não é consequência da gravidez e sim do meu ritmo acelerado também para comer,  foi a azia que já me fazia companhia há tempos e até hoje não me abandonou. Sinceramente, eu não acreditava nesses desejos de grávida. Aos meus olhos,  eram dengos dessas mulheres que se aproveitam para comer coisas diferentes e brincam de marionetes com os maridos para se divertirem. Eu nunca senti desejo por algo que fugisse da minha alimentação cotidiana. Lógico que comida dos outros eu sempre gostei (principalmente da minha mãe), bolos, sobremesas, frutas, sucos, comida gostosa são bem-vindos sempre. A nossa gula de cada dia está sempre dizendo “SIM” às delícias gastronômicas,  enquanto o dedo indicador da mão direita balança de um lado para outro: “tsc, tsc. Tsc, tsc”, reprovando aquilo tudo. Eu, indecisa, ora dou crédito a um, ora a outro, e o resultado fica visível: uns quilinhos salientes...

Após acompanhar outras experiências maternas de irmãs e amigas, amadureci o conceito de que desejos são “frescuras”. Não é porque eu não passei por isso que ele não exista. Minha prima quis comer o barro do filtro de água, a outra amiga comeu tijolo, pedaço de pau e tantos outros exageros. Uma história mais bizarra que ouvi foi que uma mulher grávida sentiu desejo de morder o calcanhar de um padre (porque o pé dele era tão branquinho! Deve ter associado a um queijo kkk)

Um novo ser dentro de nós não é apenas um elemento a mais que carregamos. Enquanto o alimentamos e contribuímos com sua formação, outros desenvolvimentos estão concomitantemente em ação e todo o processo acontece em nosso interior. Portanto, são evidentes as alterações como: sensibilidade à flor da pele, sono ou insônia, disposição ou preguiça, fome ou fastio, enjoo, mudanças de humor em nosso psicológico durante esse período. Como prova disso, basta observar que após o nascimento do bebê, progressivamente,  voltamos ao estágio inicial. Nem temos mais tempo de ficar preocupada com detalhes insignificantes: algo maior e mais importante nos aguarda, uma nova missão:  “Mãos à obra, MAMÃE”!! 
                                       (Zizi Cassemiro - mãe do Danilo e da Patrícia; avó do Gabriel e do Johnny)

11 comentários:

  1. Tempo realmente de tantas fases! … Cada gravidez com as suas características algumas boas, outras nem tanto! Algumas tranquilas outras mais conturbadas. A fase em que não queremos fazer absolutamente NADA, a fase em que nos sentimos lindas, o cuidado dobrado do marido e das outras pessoas da família, mãe, sogra, irmãs… tudo muito encantador!... Tem a fase do enxoval, da gula, do desejo ou não, né?! ... Que disposição incrível a sua!! Parabéns por isso! Pois tem gente que encara gravidez como uma doença e se recolhe totalmente!!

    E outras fases na qual torcemos para que passem logo, como a indisposição nas primeiras semanas de gravidez, o choro por qualquer motivo, os enjoos, as roupas que não servem mais, os dias em que nos sentimos feias, a barriga que pesa no fim da gestação e aquela ansiedade pela chegada do bebê… Não importa, todas elas são emocionantes!!!

    Parabéns pelo lindo texto!! Como sempre em grande estilo!! Obrigada por compartilhar com a gente esse tão delicioso relato!! Adorei!!!

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    1. Obrigada pela delicadeza de sempre em comentar e ser tão gentil!
      Os últimos dias de gravidez são mais difíceis mesmo, o peso da barriga e o medo do bebê nascer em qualquer lugar, a dificuldade em sentar-se tb incomoda...Mas faz parte, não é? O que fica é o melhor: os lindinhos!!

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  2. Primeiramente amo seus textos, e você já está "careca" de saber disso, né? Mas amo também as suas fotos! Me divirto com elas! Um barato! A junção de ambas as coisas então... perfeito! "Fechamento", como dizem meus alunos! rs rs rs

    Legal poder acompanhar outras experiências antes da nossa... Aqui eu acompanhei, ainda que de longe, por ela morar no Rio, as duas gravidezes da minha irmã... mas quando chega a nossa vez é tudo bem diferente, né? Que bom!

    Também tive muita azia... era um horror... Será que tem a ver com o fato de a gente ser assumidamente "ligada na bateria"?!? rs rs rs

    Morder o calcanhar do padre seria hilário, mas põe desejo esdrúxulo nisso, né? Se ainda fosse um pé de moleque... a Língua Portuguesa explicaria... mas de padre... inédito e hilário! Nunca tinha ouvido falar em algo assim! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Só vc pra me fazer gargalhar logo num sábado de manhã... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Obrigada! Adoooooooro!

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    1. Dequinha, fiz uma pequena alteração nas fotos: mantive as que tinha colocado e acrescentei algumas imagens relativas ao que escrevi (em um mosaico) Espero não apanhar kkkkk
      Obrigada, fofa pelo carinho sempre em alta e por gostar dos meus escritos. Temos muitas histórias para contar. não é mesmo? Estive lendo os próximos temas e tanta coisa ainda tenho para contar dos meus filhos e do netinho!! Wowowowowo!!

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    2. aquela primeira foto de grávida tem uma história bem interessante para contar...mas ainda a encaixo em um dos temas kkkkkkkkk Vc irá rir muito!!

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    3. Zizi, arrasou na montagem... é isso aí... vai mostrando às configurações do blog quem é que manda: vc!!! Jamais se esqueça disso!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Acho que histórias são sempre bem-vindas... a gente só tem que pensar em mais temas... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Fiquei curiosa para saber o que tem a tal foto... Deixa de ser malvada e conta aí... antecipa... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  3. Nossa... acabei de descobrir uma grávida elétrica!!! Caramba... nunca vi igual!!! E pelo que você mencionou sobre seu filho, no texto da semana anterior, ele herdou legal sua hiperatividade...kkkk Grávida andando de bicicleta eu já vi (minha manicure pedalava pra vir fazer minhas unhas), mas pulando muro não... Sua mãe e sua sogra tinham razão... Que grávida mais levada!!! (rsrs) Agora, desejo de morder o calcanhar do padre já é DEMAIS...kkkk Imagina um pé com chulé...kkkk Loucura!!! É cada experiência mais engraçada que a outra; e é sempre muito bom poder contar cada uma com tanta riqueza de detalhes, assim como você o fez. Parabéns, mamãe elétrica; e muito obrigada por nos deleitar com uma história tão humana e, ao mesmo tempo, tão engraçada!!!

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    1. Zenilda, obrigada pela simpatia e carinho representados nas palavras.
      Vc rem razão: o Danilo herdou a agitação de mim, pois na primeira gravidez eu estava a mil por hora, na segunda, ainda agitada, porém sem aprontar muito porque eu já tinha o Danilo para cuidar. Depois que fiquei com os dois brinquedinhos elétricos, tinha que dar conta deles e ainda ficar na cola do Danilo, que não parava... Mas, acredita que aquele agitadinho virou um adulto todo dedicado e meio pacatão? Quando eu lembro, não acredito...
      Eu não tive desejos, mas já ouvi cada história doida de mães que quiseram comer os mais estranhos "alimentos"... No fundo eu agradeço por não ter tido essas vontades mirabolantes!
      Hoje, aos 54 e duplamente avó, ainda me consideram agitada, mas ando muito cansada com as 49 aulas por semana e casa para dar conta, além do neto, gatos, blogs, etc... Gosto de levantar bem cedo para acertar minhas coisas, não aprecio ficar parada... Não sei como será quando me aposentar...

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  4. Elizabete Sampaio18 de junho de 2016 17:53

    Lindo texto, adorei.Realmente cada gestação é uma experiência única.

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    1. Obrigada, Elizabete pela gentileza nas palavras e que bom que o texto foi do seu agrado.

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    2. Morder o pé do padre? kkkkk!! Se fosse um pé de moleque ainda entenderia (trocadilho, rs)
      Lindo texto mamis
      bjs!

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