segunda-feira, 20 de junho de 2011

O nascimento de minha luz

Parece que minhas histórias são sempre tristes, trágicas até. Passei nove meses, calada, sufocada, esperando minha filha chegar ao mundo, ao meu pequeno mundo. Tenho um amigo-irmão, um anjo chamado Domingos, que me acompanha pelos caminhos da vida, desde sempre. Eu só compartilhava minha dor com esse amigo. Foi ele quem me acompanhou ao hospital. Sofri dores intensas por três longos dias. Comecei a sentir as primeiras contrações no sábado e minha menina só chegou numa terça-feira de manhã. E lá estava meu fiel escudeiro, de câmera em punho, registrando tudo.

O médico, velho conhecido nosso, perguntou o que ele fazia ali, resposta imediata: “Sou o pai”. Cidade pequena, pouco mais de oito mil habitantes, todo mundo conhece todo mundo. Ao que o médico respondeu; “Pai nada, mas pode ficar.” E ele não arredou pé, ficou ali até a hora do parto, uma cesariana, necessária, pois não se podia esperar mais. Ela chegou e deu luz à minha vida, foi o nascimento da luz de minha vida. Eu havia dito antes que ela não tem um pai, tem sim: Domingos, que ela chama apenas de Mingo, o pai que nasceu junto com ela, na hora do parto. Quando questionada a respeito do pai, ela diz: “Quem tem um Mingo na vida, precisa de um pai para quê?”.
(Irene Sena)

8 comentários:

  1. Irene, como se não bastasse o emocionante texto anterior, você ainda nos pegou de surpresa com mais esse outro, tão lindo quanto! Pai não é aquele que faz, porque isso é fácil e qualquer um pode ser... Pai é aquele que cria... que tem coragem de assumir o que o, de fato, não teve. Ser pai por escolha é uma das coisas mais lindas do mundo e parabéns por terem um DOMINGOS ou MINGO na vida de vcs! Que Deus o abençoe!

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  2. Irene,
    muito lindo seu relato!
    3 dias com dores??? Que guerreira!
    Bjs

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  3. Irene

    Bem se diz que quem tem amigo não morre pagão...rsrs. Linda essa sua amizade. E diga para a Sâmia que tive uma brilhante aluna com esse nome.
    Beijo

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  4. Irene, que bom que você tem um irmãozão que faz um papel melhor do que muitos genitores: acompanhar passo a passo, registrar,marcar presença física e emocional. Isso sim é importante, um amor incondicional. Esse tipo de atenção e amor é mais difícil de encontrar do que aquilo que estamos "carecas" de ver no dia e a dia:casais jurando amor eterno e dali a alguns dias, já desenvolvem interesse por outra pessoa. Que bom que você e sua filha tem uma pessoa especial e que o carinho é recíproco. Sua história não é triste NÃO; é SIM: emocionante e bonita;))

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  5. Coisa boa ler o que você escreve, Irene!
    Dá um trem muito bom de sentir, nossa!

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  6. Irene,
    Você consegue emocionar com seus textos! Parabéns! Porque apesar de toda dor, a emoção e a alegria foi o que prevaleceu é como diz a Bíblia em salmos 30:5 "O choro pode durar uma noite, mas a legria vem pela manhã" Sua alegria veio e ficou. Coisa boa!!!

    Bjos...

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  7. Talita Filha Da Else29 de dezembro de 2011 13:36

    Chorei liros.... ;,,D

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